A vila inglesa do Brasil: o misticismo arquitetônico por trás da neblina

Por Carlos Alberto e Luiz Filipe

Diversidade cultural define o patrimônio histórico da vila de Paranapiacaba. O distrito do município paulista de Santo André, onde se localiza a vila, chama atenção por suas belezas naturais e arquitetônicas. O local desperta o interesse cada vez maior de turistas em busca de atrações culturais e belezas naturais

Sua história começa com a necessidade de moradia dos operários da São Paulo Railway Company (SPR), empresa responsável pela construção e operação da ferrovia Santos-Jundiaí para escoar a produção de café do interior até o porto de Santos no final do século XIX.

A referência britânica na arquitetura vai das casas mais simples a uma réplica do Big Ben, que no momento está em reforma, e atrai fotógrafos profissionais e amadores.

Casas da Avenida Fox, com estilo arquitetônico inglês.
Foto: Rennan Oliveira

O futebol, paixão nacional, tem suas origens no alto da serra, pois o inglês Charles Miller aportou no Brasil em 1874 para trabalhar na SPR e o trouxe na bagagem. A concessão da SPR foi até os anos 1940, quando o patrimônio foi incorporado à União e deixado de lado. Em 1977 o então vereador de Santo André, José Mendes Botelho solicitou o tombamento da vila ao CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico) de São Paulo. Após 10 anos da solicitação, o órgão decretou o tombamento histórico da vila, para a conservação patrimonial.

O ferroviário aposentado Elias Barbosa, 58 anos, tem condições de morar em outros municípios do grande ABC ou mesmo São Paulo, mas não troca a calmaria que encontrou há 35 anos quando chegou à vila. Barbosa relatou que, na época do tombamento, famílias e comerciantes se apropriaram de imóveis abandonados para se abrigar e iniciar negócios, na grande maioria ateliês, que acabaram sendo retomados pelos órgãos públicos do município.

Essa iniciativa acabou marcando a identidade do distrito, com forte vocação para as artes. Entre os eventos culturais abrigados pela vila hoje, destacam-se: Festival de Cambuci (abril); Convenção de bruxas e magos (maio) e o Festival de Inverno (julho). O Cambuci é um fruto típico da mata atlântica, que é transformado em doces, geleias, compotas, licores, cachaças e uma infinidade de iguarias durante o festival que acontece em todos os finais de semana de abril, segundo a produtora e comerciante Aline Neves de Medeiros, 23 anos.

Variedade de produtos feitos com cambuci.
Foto: Rennan Oliveira

Para chegar à vila, o principal acesso é pelo conjunto da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano), uma vez que a estação Paranapiacaba encontra-se desativada para uso diário, sendo utilizada apenas pelo expresso turístico, aos finais de semana. A estação de trem mais próxima é a Rio Grande da Serra, da linha 10-Turquesa da CPTM, que atende 29 mil pessoas em dias úteis e mantém um terço deste volume, 10.500, aos domingos e feriados. Já na linha 424 da EMTU, que conclui a viagem entre Rio Grande da Serra e Paranapiacaba, praticamente dobra o número de passageiros aos domingos e feriados, saltando de 660 para 1100.

Ponto de parada do Expresso Turístico. Foto: Rennan Oliveira

A eclosão das redes sociais aumentou a divulgação da Vila, atraindo turistas do país inteiro. “O festival mais legal é a convenção de bruxas e magos”, segundo a gaúcha Sandra Moura Guedes, 42 anos, que descobriu Paranapiacaba pela internet e frequentemente visita o distrito acompanhada de sua filha Nadine Guedes, de 23 anos.  O blogueiro e empreendedor Guilherme Nogueira, 24 anos, que usa o Facebook para divulgar lugares turísticos, acredita que o poder de influência das mídias sociais é essencial para explicar esse aumento de interesse pela região. “Quem nunca viu uma foto ou vídeo nas redes e logo pensou que precisava conhecer esse lugar?”

As paisagens e os acervos históricos que a região possui são ótimos cenários para ensaios fotográficos, passeios com a família ou em grupos como o de Escoteiros do Tatuapé, que visita o lugar para explorar a natureza. Nicoli Alves (19), cantora e moradora de Itaquera, zona leste da capital paulista, escolheu o “lugar histórico” para produção de fotos de divulgação do seu trabalho como cantora.

 

Para chegar até Paranapiacaba:

De trem (comum): Os trens da CPTM (Linha 10 – Turquesa) partem da estação do Brás em direção à cidade de Rio Grande da Serra. A viagem tem a duração de 50 minutos e o intervalo de partida dos trens varia conforme o período do dia. Em Rio Grande da Serra é necessário utilizar um ônibus da EMTU que vai até a “Parte Alta” da vila de Paranapiacaba. De 2ª à 6ª, os ônibus partem de hora em hora (sempre nas meias-horas) e nos fins de semana e feriados de meia em meia hora.

De trem (Expresso Turístico): A viagem é oferecida aos domingos (com exceção do segundo domingo do mês) e é realizada por uma composição totalmente reformada (dois vagões de aço inoxidável fabricados no Brasil na década de 1950 e tracionados por uma locomotiva da mesma época). O trem parte da Estação da Luz às 8h30 e faz uma parada na Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André, às 9h. O embarque pode ser realizado em qualquer das duas estações, com tarifa diferenciada. Durante o percurso, monitores dão informações históricas sobre a ferrovia e as estações por onde o trem passa. O trem parte de Paranapiacaba em direção à São Paulo às 16h30. O percurso de 48km é realizado em 1h30.

De carro (Via Anchieta): Siga pela Via Anchieta até o Km 29. Após cruzar sobre a Represa Billings, utilize a saída 29 (Caminhos do Mar, Polo Eco turístico), em direção à Rodovia SP 148 (Estrada Velha de Santos). Continue até o Km 33 da SP 148 e pegue a Rodovia SP 31 (Índio Tibiriçá). No trevo do Km 45,5 da SP 31, vire à esquerda em direção a SP 122 (Adib Chamas). Depois de passar por Rio Grande da Serra, siga por mais 7Km até chegar a Paranapiacaba.

De carro (Via Imigrantes): Siga pela Rodovia dos Imigrantes até a saída para o Rodoanel Sul. Após o pedágio do Rodoanel, siga em direção a Mauá por mais ou menos 5Km, até encontrar a saída para o litoral. Ao chegar na Rodovia Anchieta, siga até o Km 29. Após cruzar sobre a Represa Billings, utilize a saída 29 (Caminhos do Mar, Polo Eco turístico), em direção à Rodovia SP 148 (Estrada Velha de Santos). Continue até o Km 33 da SP 148 e pegue a Rodovia SP 31 (Índio Tibiriçá). No trevo do Km 45,5 da SP 31, vire à esquerda em direção a SP 122 (Adib Chamas). Depois de passar por Rio Grande da Serra, siga por mais 7Km até chegar a Paranapiacaba.

  • Pauteiro: Rennan Oliveira
  • Repórter/redator: Carlos Alberto /Luiz Filipe
  • Revisor: Clodoaldo Siqueira
  • Editor: Carlos Alberto
  • Fotógrafo: Clodoaldo Siqueira /Rennan Oliveira

11 comentários em “A vila inglesa do Brasil: o misticismo arquitetônico por trás da neblina

  • março 27, 2019 em 11:11 am
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    Material sensacional
    Parabéns!!!

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  • março 27, 2019 em 11:27 am
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    Adorei a matéria. Meu TCC de produção editorial foi sobre a Vila.

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  • março 27, 2019 em 12:50 pm
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    Matéria maravilhosa , gostei muito estão de parabéns .

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  • março 27, 2019 em 2:40 pm
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    Parabéns muito boa a matéria.

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  • março 27, 2019 em 3:27 pm
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    Muito boa a matéria!👏🏼👏🏼

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  • março 27, 2019 em 7:47 pm
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    Excelente dica de passeio. #VontadeDeConhecer.

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  • março 27, 2019 em 9:44 pm
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    Matéria incrível, muito bem escrita, fotos maravilhosas, da ate vontade de conhecer

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  • março 27, 2019 em 11:06 pm
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    Adorei a matéria, bom saber dos pontos importantes do nosso São Paulo, pelas fotos, parabéns a todos os envolvidos

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  • março 28, 2019 em 12:15 am
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    Muito legal!!!
    Adoro essa cidade!!!

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  • março 28, 2019 em 12:56 am
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    Boa matéria dá até vontade de ir conhecer

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  • março 28, 2019 em 7:48 pm
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    Show!
    Entrou minha lista de pesseios!

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