Alcoolismo: do consumo casual ao vício

O abuso do álcool pode causar diversos danos na vida social e física das pessoas.

Por Barbara Sanches

O alcoolismo foi classificado como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1967 e pode causar diversas consequências para vida pessoal e social dos dependentes. Muitos não procuram a ajuda necessária, pois há uma normalização do consumo na sociedade. “As pessoas só procuram ajuda quando o prejuízo já é grande”, afirma Victor Henrique de Souza, funcionário do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) de Ermelino Matarazzo .

Fachada do CAPS- Ermelino Matarazzo. Foto: Emilly Julia Caetano

Os CAPS são centros especializados em abusos de substâncias, criadas pelo governo para atender pessoas afetadas por problemas na área da saúde mental. Os interessados em conseguir o atendimento devem se apresentar em uma das unidades, preencher uma ficha com suas informações para ser encaminhado para um profissional de plantão, um assistente social ou psicólogo, na ala do “Acolhimento”.

Danilo da Silva, administrador técnico do CAPS de Ermelino Matarazzo, contou que o paciente, após compartilhar sua história para melhor entendimento do profissional do caso, receberá um diagnóstico e receberá um tratamento singular para sua melhora.

Buscando ajuda

A psicóloga Andréa Tomazela, doutora em psicologia cognitiva comportamental, diz que inúmeras vezes o paciente acha que procurar o tratamento pode ser “uma decisão onerosa, frustrante e difícil”.

Foto de Divulgação: Doutora Andréa Tomazela, psicologa comportamental- cognitiva

 Victor de Souza observou que a maioria dos pacientes é formada por homens acima dos 40 anos. Apesar dessa informação, há muitos adolescentes que são grandes consumidores de álcool. Para Andréa Tomazela, um dos aspectos mais negativos é a associação entre o álcool e a diversão.  “Um fator social muito comum é o aprendizado precoce que vincula todos os momentos de divertimento ao consumo do álcool. Nesse caso, é como se fosse impossível sentir-se alegre e incluído no grupo sem a ingestão da bebida alcoólica ”, explica.

 Além dessa causa, há outros fatores que também podem causar o alcoolismo. A psicóloga relata que há estudos capazes de comprovar uma disposição genética para o desenvolvimento dessa patologia. “Famílias que apresentam o hábito de consumo frequente acabam disseminando o costume de beber associado a todos os contextos da rotina familiar, sejam alegres ou tristes. ”

Em uma pesquisa recente realizada pela OMS, no Relatório Global sobre Álcool e Saúde, descobriu-se que o consumo de álcool do brasileiro está 1,4 litros acima da média mundial anual de 7,8 litros de álcool puro per capita. Outro dado alarmante foi que cerca de 8 milhões de brasileiros se enquadram no perfil de um dependente alcoólico.

Nota-se um dependente alcoólico quando a quantidade de bebidas aumenta e os intervalos diminuem. Com o avançar da doença, o indivíduo adquire um comportamento instável e perda do discernimento. Essa oscilação de humor e comportamento pode também prejudicar pessoas próximas. “O alcoolismo interfere em todo o ciclo social da pessoa, ela pode tornar-se agressiva dentro de casa com o cônjuge e os filhos, desencadeando neles, por exemplo, transtorno de ansiedade”, como explica Andressa Oliveira, psicóloga organizacional.

Para a profissional, casos de alcoolismo exigem, sempre, acompanhamento médico. “Vai depender da gravidade de cada caso, às vezes é necessária até mesmo a internação. Mas o mais básico seria um acompanhamento psicológico para buscar a causa emocional que desencadeou o problema, além de questões de alimentação, apoio familiar, desintoxicação etc.”

Na visão da psicóloga Andréa Tomazela, o tratamento do transtorno ligado ao álcool é algo essencial, pois o alcoólatra causa prejuízos e vulnerabilidade significativa não apenas em diversas áreas de sua vida, como também na de seus familiares. “Na Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), iniciamos o processo de tratamento pela maneira como o nosso cliente percebe como problema ou não o álcool em sua vida. Se os danos em função da bebida são identificados, o processo terapêutico se organizará dentro de demandas específicas para suprir o cliente de estratégias que cessem seu hábito de beber, incluindo treinos para readequação sobre novas maneiras de resolver problemas ou divertir-se sem álcool. ”

E é justamente esse tratamento que Victor de Souza julga ser o adequado a partir de sua experiência no CAPS. “A boa psicologia e o tratamento não vão fazer com que o usuário pare de usar o álcool, mas sim mostrar a ele o que essa dependência química significa, criando consciência no paciente sobre os males que ele está causando a si mesmo. Somente depois poderá viver uma vida saudável, tomando atitudes com maior discernimento”, opina.

Há diversas maneiras de procurar ajuda. O Alcoólicos Anônimos (AA) é uma instituição que visa ajudar pessoas que estão nessa situação e possui diversas unidades espalhadas pela cidade. Elas oferecem reuniões de apoio para qualquer interessado, basta comparecer às sedes.

Por: Barbara Sanches & Thifany Fernandes

Serviços na zona leste:

Alcoólicos Anônimos:

  • São Miguel, no endereço rua Professor Assis Veloso, n° 53, com reuniões de segunda-feira e sexta-feira às 20h, aos sábados às 15h e nos domingos às 18h.
  • Itaquera, na Rua Flor de Piauí, n°150, com reuniões as quartas-feiras e sextas-feiras às 19h50, sábados às 19h30 e nos domingos às 18h. Não é preciso pagar nenhum tipo de valor.

Centro de Atendimento Psicossocial de Álcool e Drogas:

  • CAPS – Ermelino Matarazzo Álcool e Drogas no endereço Rua João Antônio Andrade, n° 804, no Parque Boturussu, funcionamento de segunda a sexta-feira das 7h às 19h.
  • CAPS Penha na Praça Nossa Senhora da Penha, n° 55, no bairro Penha de Franca. Funciona 24h.

 

Editor: Matheus L. Lizardo

Repórter/Redatora: Barbara Sanches

Pauteiro: Alex da Silva

Fotografa: Emilly J. Caetano

Revisora e multimídia: Thifany Fernandes

 

 

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