O papel do jornalismo de dados na investigação do setor público

Terceiro dia da Semana do Jornalismo reúne alunos de Iniciação Científica em roda de conversa com os participantes. Logo após, o convidado Luiz Fernandes Toledo falou sobre a necessidade da formação jornalística na área de dados. 

No dia 02/05 (quinta -feira), três estudantes da Cruzeiro do Sul abriram uma roda de conversa sobre o Programa de Iniciação Científica que a universidade proporciona para os seus alunos. Wesley, Carolina e Vitória, que tiveram os seus projetos aprovados para a iniciação, esclareceram dúvidas e revelaram quais são as dificuldades e recompensas quando você se entrega e se esforça para realizar um projeto desse porte.

Carolina, Wesley e Vitória- Foto Rebeca Real

Wesley foi o primeiro estudante de jornalismo a ser aprovado para a iniciação científica. Ele desconstrói o argumento que muitos estudantes acreditam, de que a iniciação só é necessária  para se tornar professor. “ Não, hoje o mercado procura estudantes com iniciação científica para ajudar a traçar o perfil de consumidor, da população e tudo mais.”  O intuito do seu estudo era entender o porquê das pessoas discutirem tanto política nas redes sociais. Quando questionado sobre o processo de criação, Wesley relata que primeiro fez uma grande pesquisa aprofundada, depois organizou as informações e só a partir disso que foi para a parte escrita do seu projeto.

Depois,  a palavra foi passada para Carolina,  cujo projeto analisa a visibilidade feminina na fotografia esportiva. Sua orientadora foi a coordenadora do curso, Profa. Dra. Regina Tavares, que deu a ideia do tema para a estudante, que queria falar sobre a figura feminina no jornalismo, porém, não sabia em qual área focar e como fazer para afunilar o seu estudo. A terceira palestrante era Vitória, com tema de pesquisa sobre o corpo feminino no cinema e como a publicidade o retrata. O seu projeto é o único que ainda está na fase inicial, pois foi aprovado há poucos dias. Quando questionados sobre a iniciação científica e a sua relação com o jornalismo, os alunos relataram as lições que aprenderam e que vão levar para o curso. Por exemplo, agora eles entendem melhor como uma pesquisa deve ser realizada da forma correta, além das normas ABNT, descobriram como se aprofundar nos seus estudos, conquistando uma bagagem de experiência para o TCC. Uma das coisas que mais assustou nesse processo foram os prazos de entrega das pesquisas.  Como dica para quem vai iniciar o projeto, eles falam que no site da Cruzeiro do Sul existe um guia sobre a iniciação científica, explicando tudo de forma clara e bem objetiva. Os alunos finalizam dizendo que um dos fatores para começar o trabalho e desenvolvê-lo de forma tranquila está baseado em uma boa escolha do orientador. É importante que o professor da área tenha afinidade com o tema escolhido pelo aluno. O orientador deve ter mestrado ou doutorado, os alunos reforçam que todos os professores da Universidade Cruzeiro do Sul têm essas qualificações, ou seja, são muito preparados para ajudar os alunos que buscam a iniciação científica.

Entrevista com Luiz Fernando Toledo, palestrante da noite. Foto- Rebeca Real

Já no segundo tempo, a palestra foi realizada por Luiz Fernando Toledo, jornalista de dados e criador da primeiro newsletter no Brasil que trata sobre Lei de Acesso à Informação e bases de dados públicos. A lei foi criada em 2011 e regulamentada em 2012 e é uma ferramenta de grande importância para garantir que perguntas feitas a políticos sejam respondidas. Logo no início da apresentação, o jornalista citou a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), organização sem fins lucrativos que além de diversos projetos e de ter parceria com a Transparência Internacional, que oferece bolsa a jornalistas locais, ainda disponibiliza cursos online para a área de comunicação social.

A Abraji se tornou uma das entidades responsáveis por correr atrás dos direitos do acesso à informação, protegendo, de certa forma, jornalistas e pesquisadores, investigando inclusive casos de agressões. O projeto Tim Lopes, por exemplo, investiga especificamente sobre morte de jornalistas. Luiz Fernando também falou de outros projetos, como projeto Ctrl X que é uma base de dados criada para tratar o impacto dos casos de censura judicial por parte de políticos. Já o Achados e Perdidos reúne perguntas solicitadas por cidadãos e respostas da administração pública. O Publique-se compila informações relacionadas a crimes de políticos e, por fim, o Projeto Comprova, que uniu 24 redações pelo Brasil para realizar o chamado “fact-checking”, muito comentado no ano de 2018 na época das Eleições, e é basicamente uma segunda apuração jornalística dos fatos, a checagem de informações. Apesar de serem fontes oficiais, Luiz reforça a importância de sempre analisar cuidadosamente o conteúdo fornecido, principalmente quando parte de assessorias de imprensa, já que será muito improvável que as mesmas deem informações que prejudiquem seus clientes.

Todos os projetos citados pelo jornalista Luiz Fernando na palestra e descritos nesta matéria se encontram no site da Abraji e podem ser acessados. A data de inscrição para os cursos também pode ser acompanhada pela plataforma.

 

 

Crédito:

Repórteres- Ingrid Estevão- Camila Alves

Redatoras – Alice Santos- Geovanna Domingos

Fotografas – Rebeca Real- Lucas Santos

Revisoras – Ana Beatriz- Amanda Cunha

Editor – Lucas Santos

Redes Sociais – Kleber Lins

 

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