Os males do século XXI: saiba mais sobre alguns dos transtornos mentais comuns na atualidade

Especialistas explicam como as pessoas desenvolvem depressão e ansiedade, estabelecendo as relações entre saúde mental e corporal.

 

Por Isabel Araújo e Karine Silva

 

Você já parou para pensar que em algum momento da sua vida pode acontecer um episódio de depressão ou outro tipo de transtorno mental? Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmam que mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais no mundo inteiro. No Brasil, 5,8% dos habitantes sofrem com esse tipo de problema, a maior taxa do continente latino-americano. Nosso país também é campeão mundial no índice de ansiedade: 9,3% da população sofre com esse mal. Essas doenças envolvem várias outras, como ataques de pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), fobias e estresse pós-traumático. A faixa etária mais afetada, entre os jovens, vai de 12 a 24 anos e, na idade mais avançada, de 55 a 74 anos.

Imagem: Banco de imagens Freepik.

Até recentemente, não ouvíamos falar tanto dessas doenças, pelo contrário, elas eram, inclusive, tratadas como melancolia. Nos dias de hoje, porém, é fácil se deparar com pessoas que falam sobre isso abertamente e até mesmo as redes sociais tornaram-se um lugar para discussão e debate sobre o assunto. Na televisão, é extremamente comum ver pessoas que já sofreram com um destes transtornos expondo suas histórias, inclusive celebridades aclamadas internacionalmente. Isso deve-se ao fato de que pessoas nestas condições precisam mais do que tudo da ajuda de terceiros. Nem sempre a doença é perceptível aos olhos e não são todas as vítimas que conseguem se abrir desta forma. Depressão, ansiedade, TOC, Síndrome do Pânico, entre outras, são as doenças que mais fazem vítimas nos dias atuais. Afinal, como não ser ansioso, por exemplo, em um mundo repleto de cobranças por todo lado? Sozinhas, elas não são capazes de matar, mas o sofrimento proporcionado causa e leva a consequências muito sérias que podem afetar a saúde de forma global, até mesmo levando seu sofredor a tomar decisões drásticas, como no caso extremo do suicídio.

O psicólogo Rafael Cislinschi afirma que o diagnóstico de uma pessoa que tem uma destas doenças é feito a partir de sintomas clínicos/comportamentais, pois não existe um exame que possa detectar o sofrimento de alguém. “Não há um consenso entre os profissionais da área se essas doenças são hereditárias ou adquiridas após uma forte emoção, mas fatores ambientais e culturais, como escola, família, pressões religiosas, entre outros fatores, têm grande impacto e proporções gigantescas na vida do indivíduo”, esclarece. Ele diz, ainda, que as doenças podem evoluir de estágio, causando mais sofrimento aos pacientes.

Entre os tratamentos, Rafael diz que algumas medicações podem contribuir para a melhora do estado de humor do indivíduo, amenizando seu sofrimento, e que o uso da psicoterapia funciona como um processo em que a pessoa ressignifica eventos traumáticos, situações, conflitos e questões emocionais. “Há ainda outras modalidades, como interação, música-terapia, entre outros, que não são realizados por profissionais da psicologia, porém oferecem resultados interessantes”, afirma o psicólogo. Quando perguntado se existe cura, Rafael diz que o tratamento ajuda na diminuição dos sintomas, mas que o ideal é estabelecer um consenso entre paciente e terapeuta. “É possível uma pessoa sofrer com transtorno mental e não perceber, por desconhecimento ou resistência ao diagnóstico. Por isso, é muito importante falar sobre o tema”, conclui ele.

 

“Era horrível pensar que, mesmo rodeada de pessoas, estava totalmente sozinha.”

Karina Souza, 19 anos, estudante

 

A nutricionista Adriana Midori Oki afirma que pessoas que possuem transtornos mentais geralmente utilizam a comida para obter um alívio momentâneo de suas pressões internas. “A comida traz prazer e faz esquecer os problemas, ainda que por poucos segundos. Isso pode acarretar, dependendo da quantidade de consumo desses alimentos, obesidade e doenças como diabetes e dislipidemia.” Ela afirma que anorexia, bulimia e obesidade também estão relacionadas com transtornos mentais, pois o paciente usa a comida como uma válvula de escape, tendo uma “fome emocional”.

Em momentos como esses, é de grande importância entender o ponto de vista de pessoas que já sofreram com alguma dessas doenças. Izabel Silva, de 42 anos, relata como a depressão entrou em sua vida. “Eu sofria agressões da parte do meu ex-companheiro, e por causa disso comecei a sofrer com depressão. Não tinha vontade de fazer nada das coisas que costumava fazer, como as tarefas diárias da casa e cuidar das minhas filhas. Eu só pensava em me matar.” Ela afirma, ainda, que o sofrimento foi aliviado quando começou a trabalhar fora.

Imagem: Banco de imagens Pixabay.

Para Karina Souza, de 19 anos, que sofreu de depressão e ansiedade, foi diferente. “Quando descobri que estava com depressão, eu tinha apenas 15 anos e mal sabia que isso era uma doença. Jamais pensei que sofreria com isso. Era horrível pensar que, mesmo rodeada de pessoas, estava totalmente sozinha.” Ela relata também que ficava chateada quando as pessoas não lhe davam a devida atenção. Para a estudante, os sintomas depressivos diminuíram quando percebeu que o estágio da doença estava avançando, porém, logo veio a ansiedade. “Quando pensei que estava livre de qualquer doença, me enganei: passei a sofrer de ansiedade. Sempre recebi muita pressão psicológica por parte dos meus familiares, mas, depois de passar por uma depressão, toda vez que isso acontecia eu ficava muito ansiosa”, continua. Ela afirma, ainda, que hoje não sofre mais com isso, pois aprendeu a se abrir mais com as pessoas à sua volta.

Banner de divulgação do CVV.

Para lidar com tudo isso, é necessário tentar entender quem sofre com os distúrbios e doenças, ser compreensivo e principalmente oferecer ajuda. Se você passa por isso ou conhece alguém que sofre com transtornos, lembre-se que existe o número 188, do Centro de Valorização da Vida, que funciona 24 horas por dia e busca oferecer apoio emocional gratuitamente.

 

Créditos:

Imagem em destaque: Banco de imagens Freepik. 

Revisão/edição: Angela Barbosa Souza

Repórteres/redatoras: Isabel C. Araujo de Souza e Karine Silva Souza

Planejamento de Mídia: Kleber Augusto

Social Media: Renata Fabiane de Lacerda Pinto

 

Um comentário em “Os males do século XXI: saiba mais sobre alguns dos transtornos mentais comuns na atualidade

  • maio 18, 2019 em 1:19 am
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    Gostei muito, conteúdo relavante, de extrema importância! 👏👏

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