Apesar de inaugurado, novo trecho da linha 15-Prata do Metrô não surte efeitos positivos na mobilidade dos usuários da zona leste

O trecho recém-inaugurado foi entregue com atraso, pendências relacionadas às obras e falta de itens básicos de segurança.

Há quase duas semanas em serviço, a nova expansão da linha 15-Prata do Metrô de São Paulo ainda não atende a população como deveria. O trecho, com operações iniciadas recentemente, está funcionando apenas em caráter de testes, em razão da questão de segurança e adaptação operacional. As estações São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União por enquanto, estão abertas ao público de segunda a sexta-feira, entre 10h e 15h, sem cobrança de tarifa. Devido à restrição de horário, muitos usuários que também são moradores dos bairros atendidos pelas estações, encontram-se insatisfeitos, já que o momento em que mais necessitam do serviço é justamente nos horários de pico da manhã ou tarde, em que a linha ainda não opera.

Elaine Nogueira, 22 anos, estudante e moradora da região de Sapopemba, comenta que se a linha 15 já funcionasse normalmente, aliviaria muito sua ida à faculdade. “Gasto cerca de 40 minutos no ônibus só para conseguir chegar até a estação Vila Prudente. Com o monotrilho, faria esse mesmo trajeto em metade do tempo. Isso seria ótimo, pois não passaria pelo estresse de enfrentar o trânsito caótico dentro de um ônibus lotado”, lamentou. Já para o auxiliar administrativo Gustavo da Costa, de 35 anos, a linha 15 contribuiria na redução de gastos com transporte público. “Moro na Vila União e todos os dias me desloco de ônibus até a Vila Prudente para pegar a linha Verde e chegar ao trabalho. Para isso, pago duas passagens, uma de ônibus e outra de metrô. Assim que o monotrilho começar a operar de modo normal, não precisarei mais do ônibus, até porque a linha Prata já faz uma integração direta e gratuita com a Verde, ou seja, pagarei apenas uma tarifa e economizarei meu dinheiro”, disse.

Além de não operar durante o dia todo, o novo trecho da linha 15 foi entregue com algumas pendências relacionadas às obras, como por exemplo, a falta de acabamento total em certos pontos das estruturas das estações e até mesmo má limpeza, pois em visita à estação Vila União, a equipe da AUN constatou a presença de poeira resultante das obras em boa parte da extensão do piso das plataformas.

Um funcionário do setor de operações técnicas da estação Oratório, que não quis ser identificado, relatou que algumas estações ainda não contavam sequer com itens básicos de segurança, como extintor de incêndio nas plataformas e dependências de uma das novas estações. Entre outros problemas, a falta de água para uso público também entra na lista. Nesta semana, em uma rápida passagem pela estação Camilo Haddad, também flagramos um grupo de operários fazendo a instalação da sinalização tátil para deficientes visuais nas calçadas e rampas da estação, um item de acessibilidade muito importante que já deveria estar em uso. Já nas estações São Lucas e Vila União é possível se deparar ainda com operários e máquinas trabalhando no reparo e acabamento das calçadas.

Trajetória histórica da linha-15 Prata

A construção da linha 15-Prata foi iniciada em 2009, com custo estimado em R$ 6,40 bilhões. É a primeira em São Paulo a operar sob o sistema de monotrilho na capital. Inicialmente, o prazo previsto para a entrega total da linha seria no ano de 2012, mas devido aos atrasos por problemas de execução das obras, somente em 2014 ocorreu a inauguração do primeiro trecho, com apenas duas estações, Vila Prudente e Oratório.

Neste ano, prestes a deixar o cargo de governador do Estado de São Paulo para candidatar-se à presidência nas eleições de outubro, Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu entregar mais um trecho da linha-15 em seu último dia de gestão. O evento de inauguração ocorreu na estação Vila União durante a manhã do dia 6 de abril. As novas estações compõem a entrega da segunda fase das obras. O trecho tem cerca de 5,5 km que, somados aos da primeira fase, totalizam 7,8 km de extensão.

Em discurso público durante o evento de inauguração realizado na estação Vila União, Alckmin declarou que a previsão é que até o final de junho de 2018 o terceiro trecho seja entregue com as estações Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus, que estão em estágio de acabamento e implantação dos sistemas operacionais, bem como de infraestrutura interna.

De acordo com informações do Metrô de São Paulo, a expectativa é que a linha-15 transporte cerca de 350 mil passageiros por dia quando o trecho que vai até São Mateus entrar em funcionamento. Estão em fase de planejamento duas futuras novas expansões, sendo a primeira uma ligação entre o bairro de São Mateus e Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital paulista, e a segunda, entre os bairros de Vila prudente e Ipiranga. Contudo, estas possíveis amplificações encontram-se em situação de projeto e desapropriação. Não há previsão para início das obras.

Ao entrar em contato com a assessoria de imprensa do metrô, para saber um pouco mais detalhadamente a respeito das principais causas que influenciaram os atrasos das obras, a AUN não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Repórter/Redator: Adnael Nogueira

Fotógrafa: Juliana Ferreira

Editora: Karina Abel/Stephanny Gonçalves

Pauteira: Karina Abel

Revisora: Ana Vitória Bispo

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