Memorial da América Latina incentiva diversidade gastronômica em São Paulo

Festival gastronômico realizado na Barra Funda reúne pratos típicos e sobremesas de vários países

Por: Fernanda Souza

Frequentado por diversas tribos, hoje, o centro de São Paulo se tornou um lugar de extrema importância para o conhecimento de novas culturas, com passeios gastronômicos de comidas típicas e inusitadas de outros países. Desde então, sempre houve eventos que enaltecessem essas raízes que aqui se instalaram. Um dos locais que contribuem para a divulgação e disseminação da cultura mundial é o Memorial da América Latina, que recebeu um Festival Gastronômico com Tacos, Ceviche, Maçã do Amor e um dos principais doces da América Latina, o Churro, nos dias 23 e 24 de março. O evento rolou das 11h às 21h com entrada franca, com música ao vivo e uma área reservada só para as crianças.

Espaço oferecido para a degustação – Por Leonardo Bettanim

O espaço contou com 80 expositores, shows para animar o público e programação musical especial do Projeto Cultural – Talentos no Memorial. O público participou ativamente no palco, cantando músicas e dançando.

Aproveitando as comemorações do aniversário do Memorial da América Latina, a empresa responsável pelo evento escolheu o tema Festival de Taco e Ceviche. “Queremos que as pessoas conheçam esse espaço público e o utilizem da melhor forma, por isso, os eventos, shows e exposições são gratuitos, para que todos possam ter acesso à cultura”, afirma Luíza Tozatto, assessora do evento.

Akio segurando um dos pratos principais do evento: Ceviche – Por Leonardo Bettanim
Akio Takahashi, 43 anos, brasileiro e filho de pais japoneses, é um dos donos da barraca de Ceviche do festival. Com seu segundo ano consecutivo no evento, ele conta que geralmente as pessoas não conhecem o prato, e afirma que o festival abriu portas para que elas possam conhecer mais da gastronomia peruana. Depois de 25 anos morando no Japão, Akio conta que trabalhou em um restaurante onde passou dois anos lavando pratos. “Comecei lavando pratos e por dois anos só fiz isso, não podia nem olhar para a comida”, ele brinca. Mas sua sorte mudou com um novo convite.“Foi quando em um hotel famoso, onde eu também trabalhava, que alguns japoneses inventaram de fazer churrasco, mas ninguém sabia fazer, aí eu pensei: opa, é minha chance. Então pedi em troca que eles me ensinassem a culinária. Foi tudo na raça.”
Mestre na culinária japonesa, quando retornou ao Brasil, decidiu ampliar seus conhecimentos gastronômicos e descobriu a comida peruana. “O ceviche é um peixe marinado, podendo ser tilápia, atum ou salmão.” Para Akio, a comida peruana tem ficado mais forte com o passar dos anos, já que o povo brasileiro é muito aberto a novas culturas.

Imagem por Leonardo Bettanim

Embora muitos não saibam, a origem do churros ainda é um mistério e Portugal e Espanha disputam sua autoria. A idade é indefinida, os espanhóis afirmam ser do século XIX, mas essa massa saborosa feita de farinha de trigo e água, coberta de canela e açúcar, faz sucesso mesmo é aqui nas Américas, sempre encontrada nas tão tradicionais barraquinhas.

Curiosamente, no México e na Argentina, o churros é consumido somente frito e sem recheio. Já, aqui no Brasil, como somos um povo criativo, recebeu recheios e diversos tamanhos. Doce de leite é o mais comum, mas o de chocolate tem ganhado cada vez mais espaço.

Milton Saia – Por Leonardo Bettanim
Tratando-se de churros mais incrementados, Milton João Saia, proprietário de dois food trucks localizados no evento, foi o pioneiro do churros gourmet em São Paulo e fala um pouco sobre a sua trajetória. “Nós começamos com o churros há mais de dez anos. Lançamos o churros gourmet em São Paulo. Na época, houve a primeira feira gastronômica desse produto na Vila Madalena, em 2013, mas antes disso a gente já fazia. Nós participamos do 1º Food Park do Brasil, que foi o Butantã Food Park. Estávamos lá desde o início e há dois anos participamos desse festival.”

Michel Bogagio – Por Leonardo Bettanim
Michel Bogagio é o único chefe de barraca alemã de todo o festival. Apesar da diferença de sua culinária para o resto do evento, conta que a aceitação é ótima. “O tema é relativo, as pessoas fidelizam e acabam vindo toda vez que tem evento”, conta. Seu prato principal é o joelho de porco assado na brasa e defumado em lenha de laranjeira, diferente da Alemanha, onde é frito. “Nós temos uma cultura muito forte em São Paulo de pessoas alemãs. No bairro do Brooklin, temos a maior população do Estado. A feira de lá, por exemplo, já ocorre há mais de 40 anos, então sua influência é grande e a aceitação é muito boa, eu consigo ver uma vantagem”, afirma Bogagio.

Para Natasha Lima, estudante de design que participou do evento, a variedade é um dos fortes do festival. “Não precisava só comer churros, havia comida de outros países, como a culinária alemã, japonesa e mexicana. Foi muito bom provar tudo isso, não é sempre que temos comidas tão diferentes disponíveis’’, opina.

Mesmo com culturas tão diferentes, nota-se que a culinária aproxima as pessoas. Hoje é impossível viver apenas de algo típico e originário do Brasil, já que é um país formado por imigrantes de todos os cantos do mundo. Uma das curiosidades dos chefes é que todos aprenderam “na raça” e continuam levando suas ideias para outros Estados, em outras feiras e espalhando suas especialidades. Com isso, é possível ver a importância de uma cidade investir em espaços que promovem a cultura e a informação.

São Paulo, capital da diversidade
A capital paulista é uma das mais ricas quando tratamos de diversidade cultural, por isso esses grandes festivais são frequentes no calendário da metrópole. Por ser uma cidade receptiva a novos povos, muitas culturas são incorporadas e reinventadas através de suas próprias peculiaridades. Com raízes italianas, portuguesas e indígenas, assim como muitas outras, não é à toa que São Paulo conquistou o título de capital mundial da gastronomia.

Os próximos eventos que ocorrerão no Memorial da América Latina no mês de abril:

07/04 – Jazz na Rua
12/04 – Hangar Monetizze 2019
13/04 – Festivel de Tempurá e Yakissoba

Para mais informações acesse: www.memorial.org.br

Equipe New Direction
Revisor: Douglas Gomes
Repórter/Redatora: Fernanda Souza
Editora: Joyce Nayra
Mídias Sociais e Planejamento Multimídia: Kelvim Caires
Fotógrafo: Leonardo Bettanim
Pauteiro: Vitor Hugo

3 comentários em “Memorial da América Latina incentiva diversidade gastronômica em São Paulo

  • março 29, 2019 em 3:46 pm
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    Incrível, gente. Gostaria de dizer que a joy arrasa muito, nao esperava menos de vocês tendo essa rainha no grupo. Tudo muito relevante.

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  • abril 24, 2019 em 6:17 pm
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    Fiquei Muito Interessado pelo seu post.Vou acompanhar seu Blog que é muito bom. É TOP ! Esse tipo de conteúdo tem me agregado muito conhecimento.Grato !

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