Taxa de suicídio cresce no Brasil e preocupa o Ministério da Saúde

Índice teve aumento de 10% entre os anos de 2002 e 2014.

Por Renan Lavrador

Suicídio é uma palavra que tem origem no latim e significa “tirar voluntariamente a própria vida”. Este assunto se tornou um tabu e, consequentemente, pouco debatido. No Brasil, 11 mil pessoas tiram a própria vida, sendo que nos anos de 2011 a 2015 o índice de suicídio aumentou 12% entre os jovens de 15 a 29 anos, segundo dados do Ministério da Saúde (MS) em conjunto com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Homens e mulheres de 15 a 29 anos constam como categorias que ocupam, respectivamente, a terceira e a oitava posição entre as vítimas de suicídio no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde (2017), as mulheres nos anos de 2011 e 2016 tiveram 69% de tentativas de suicídio, 58% delas por envenenamento. Já os homens, no mesmo período, são os que mais morrem por suicídio, com uma porcentagem de 79%, 62% por enforcamento.

No Setembro Amarelo de 2017, mês que tem como objetivo a prevenção do suicídio, o Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde, divulgou pela primeira vez um boletim epidemiológico com dados sobre o suicídio no Brasil. Os números assustaram a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabeleceu como meta reduzir a taxa de suicídio em 10% até 2020. A preocupação também é do Ministério da Saúde, que pretende fazer o lançamento de uma Agenda de Ações Estratégicas para a vigilância e prevenção ao suicídio, ampliar os acordos com o Centro de Valorização da Vida (CVV), disponibilizar materiais direcionados aos profissionais de saúde, aos jornalistas, e à população, além de realizar um Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio.

Piauí reage contra o suicídio

Com o lançamento do boletim epidemiológico de setembro de 2017, a taxa de suicídio do Piauí é 57% maior do que a taxa nacional. Essa tendência já era apontada nos dados de 2015, que mostravam que o Piauí possuía números superiores ao restante do Brasil. Em resposta, o governador Wellington Dias lançou o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio, no dia 24 de agosto deste ano.

O plano contará com o acolhimento de pessoas que tentaram cometer suicídio pelas redes de Atenção à Saúde (SUS – Sistema Único de Saúde), Educação, Segurança e Socioassistencial (SUAS – Sistema Único de Assistência Social). Para isso, o governo vai promover treinamentos para qualificar os seus profissionais em cada área. Também será disponibilizado um sistema de hotline, com atendimento em assistência psiquiátrica pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Por fim, serão realizadas campanhas educativas para conscientizar a população sobre o assunto, disponibilizando cartilhas com telefones e endereços da rede assistencial do Estado.

Em novembro do mesmo ano, o município Teresina, que conta com um Centro de Valorização da Vida, associação civil sem fins lucrativos cuja finalidade é oferecer apoio emocional e suporte na prevenção contra o suicídio, foi contemplado pela campanha do 188, realizada pelo Ministério da Saúde. A campanha tem como objetivo a gratuidade das ligações para os centros de valorização da vida em 76 postos até 2020.

Os jovens pedem socorro

No mundo, os jovens entre 15 e 29 anos constam como a categoria que ocupa a segunda posição entre as maiores taxas de suicídio, segundo dados de 2014 da OMS. No Brasil, houve um aumento de 12% nessa faixa etária, e são muitos os motivos pelos quais isso acontece. “Essa faixa etária é a fase das descobertas, é o momento em que você deve tomar grandes decisões, pois está amadurecendo”, explica a psicóloga Estefania Hernandes, que atende em consultório particular há mais de 30 anos.

A psicóloga acredita que este índice aumentou pela pressão social que existe sobre os jovens. “Isso é muito forte, pois ao exigir que eles sempre sejam os melhores em tudo, a sociedade acaba criando uma cobrança excessiva, gerando autocrítica e frustração na mesma proporção”, acrescenta.

Um dos programas que precisa de melhorias, segundo a psicóloga, é o Centro de Assistência Psicossocial (CAPS), já que muitas pessoas optam pelo psicólogo particular por não receber o atendimento devido no programa. “Por eu atender em consultório particular, percebo que muitos dos meus pacientes saíram do CAPS por falta de assistência psicológica digna nessa entidade.”

As ações conjuntas desses órgãos da saúde pública mostram que o suicídio deixou de ser uma preocupação apenas do indivíduo e tornou-se um problema de âmbito social. Existem programas capazes de ajudar uma pessoa que esteja passando por isso, o que não elimina a importância do acompanhamento acolhedor da família, além da consulta obrigatória a médicos e psicólogos. A psicóloga Estefania Hernandes afirma, por fim, que “acolher a pessoa, tentando manter o diálogo e a proximidade, é o primeiro passo para ser um suporte.”

 

Infografia de Luiz Damasceno; Edição e Pauta de Marcelo Júnior; Revisão de Michelli Lira.

 

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