A presença feminina no mercado editorial

O livro Fantasma da Memória, de Regina Tavares, nos traz um diálogo sobre a importância da atuação da mulher no mercado editorial e como isso se tornou um fator para o desenvolvimento da literatura feminina.

Por Michelli Lira

Nessa última quarta-feira, 9 de maio, foi lançado pela editora Appris o primeiro livro escrito por Regina Tavares de Menezes dos Santos, pesquisadora, doutora e escritora. Com o título “O fantasma da memória: entre o espetacular e o ficcional”, a autora esteve na livraria Martins Fontes, no centro de São Paulo, em noite de autógrafos.

Seu livro reúne histórias a respeito da memória coletiva, com enfoque na população da Zona Leste. Além de histórias atuais, o livro também retrata a época da ditadura militar. “É uma discussão sobre a literatura e como a memória se torna algo tão substancial na vida das pessoas”, diz a autora.

O tema memória é abordado, de modo geral, em diferentes áreas do conhecimento, da Filosofia até a Comunicação. A autora afirma que quando as informações não são transmitidas de geração para geração a memória compartilhada fica comprometida e o aprendizado acaba sendo substituído constantemente por novos conteúdos, sem sedimentação.

Regina Tavares ministra várias disciplinas relacionadas à área da Comunicação, com ênfase em Jornalismo para a graduação e pós-graduação. Possui também experiência em educação a distância como tutora e, atualmente, como coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul e supervisora do setor de Produção Audiovisual Acadêmica da Cruzeiro do Sul Virtual.

Na Literatura, livros publicados e escritos por mulheres nunca tiveram tanta visibilidade como no século XXI. Isso é um fator muito importante e empoderador para que outras autoras possam realizar o sonho da escrita, a partir das mais diversas referências femininas. As escolas, geralmente, possuem uma quantidade predominante de livros escritos por homens, por isso se torna tão difícil conhecer grandes escritoras. Esse foi o grande motivo pelo qual a autora J. K. Rowling, mundialmente famosa pela série de livros Harry Potter, foi obrigada a abreviar seu nome, por achar que a visibilidade das mulheres na linha editorial era tão mínima.

Patrícia Borges, pesquisadora, escritora e professora da Universidade Cruzeiro do Sul na área de Comunicação, diz que seu incentivo para começar a escrever veio do interesse pelas Artes Visuais e pela cultura japonesa. Ela sempre buscou escrever sobre aquilo que ama, especialmente os quadrinhos. A escritora diz que, cada vez mais, o papel da mulher no mercado editorial alcança visibilidade, mesmo nos quadrinhos que, tradicionalmente, eram associados ao público masculino. Autoras que, além de redigir, desenham e relatam suas experiências pelas imagens. “Por exemplo, no livro Desconstruindo Una, a autora expressa sua opinião em meio a uma sociedade machista e fala dos abusos que sofreu ao longo da vida, tudo isso por meio dos quadrinhos”, diz a professora.

Mais recentemente, plataformas digitais como Kindle facilitam o acesso aos livros. O que não é encontrado nas bibliotecas ou livrarias pode ser lido no aparelho. Ao permitir lançamentos independentes, a nova tecnologia impulsionou a criação de livros publicados por autoras.

Mariana de Souza Lima é gerente de marketing na editora Sextante e afirma que e-readers e livros convencionais são complementares. “Uma coisa não exclui a outra e ajuda muito em certas ocasiões. Físico ou digital, opto pela forma mais prática no momento em que estiver lendo. O digital me ajuda a ter mais opções, mantendo abertas várias obras ao mesmo tempo. Outra facilidade é ler antes de dormir.”

Ainda existem meninas que têm certa insegurança em relação à publicação de seus livros, por conta da visibilidade ou de preconceitos, receosas com possíveis reações. Mas com a ajuda de outras grandes influenciadoras na literatura, isso começa a mudar. Nos tempos atuais, o crescimento de grandes autoras vem sendo um fator extremamente importante para o mercado editorial brasileiro.

Paola Giometti é paulistana, formada em Biologia, mestre e doutoranda na área de Ciências. Além disso, é autora de três livros, colaboradora e organizadora de diversas coletâneas de contos. O Destino do Lobo é seu primeiro livro solo, lançado em 2014 pela Giz Editorial. Junto com os títulos O Código das Águias e O Chamado dos Bisões, compõem a série Fábulas da Terra, na qual a autora mescla seu conhecimento acadêmico e empírico. “Meu conselho é ler muito o estilo em que você deseja escrever. Dessa forma, você aprende a melhor linguagem a ser utilizada. Criar uma estrutura, com começo, meio e fim, também ajuda. Participar de coletâneas literárias pode ser uma chave para ingressar no mundo da literatura, uma vez que colocará você em contato com outras pessoas do ramo editorial”, aconselha a escritora. Ela ressalta o crescimento do respeito às obras femininas no campo literário. “Boa parte desse novo panorama vem das redes sociais, ao permitir que as mulheres expressem sua indignação e suas aflições vividas em um mundo machista. Hoje, tanto homens como mulheres são meus leitores e a internet me ajudou muito a ser reconhecida.”

É de suma importância ampliar o espaço feminino e mostrar que a literatura produzida por mulheres integra diversos gêneros e vai além dos romances afetivos ou autorais. São esses alguns dos objetivos dos inúmeros coletivos literários criados por mulheres em diferentes regiões do país. Eles mostram a diversidade e a igualdade de gêneros, apontando um futuro mais igualitário para o mercado editorial.


Fotografia de Marcelo Júnior; Edição e Pauta de Luiz Damasceno; Revisão de Renan Lavrador.

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