Arquitetura em São Paulo: diversidade de estilos em monumentos do nosso cotidiano

Da arte neogótica à eclética, prédios com variedade arquitetônica contam um pouco da história da cidade.

Por Vinicius Mota

A cidade de São Paulo sofreu uma grande influência de vários povos em diversas áreas da cultura. Na arquitetura, não poderia ser diferente, os prédios e museus espalhados pela capital paulistana são base para a construção histórica e cultural da Terra da Garoa.

“São Paulo apresentou vários momentos de grandiosidade e seus principais edifícios possuem destaques visuais como as linhas verticalizadas e a sua constante imponência em relação à escala humana.” explica o arquiteto urbanista, graduado pela UNESP, Jardiel Sampaio de Oliveira, atualmente professor de Linguagem Arquitetônica, Arquitetura e Urbanismo na Universidade Cruzeiro do Sul.

Mas o que o Teatro Municipal, o Mosteiro de São Bento, a Catedral da Sé, o MASP e o Centro Cultural Banco do Brasil têm em comum? Além de serem pontos turísticos da cidade, são locais com influências arquitetônicas bem acentuadas em sua composição, que muitas vezes passam despercebidas.

Teatro Municipal

Foto: Pedro Vicente

Símbolo da “Belle Époque” paulista, construído para ser centro cultural, onde a elite de São Paulo pudesse assistir óperas e concertos, como ocorria em países da Europa, o Teatro Municipal foi construído pelo arquiteto Ramos de Azevedo, com início em 1885 e conclusão das obras em 1907. O prédio conta com influências renascentistas, da art noveau e do barroco, formando o estilo Eclético que estava em alta em países europeus. Às segundas e quartas-feiras, é possível visitar o Teatro na programação do Happy Hour, às 18h, gratuitamente.

Para mais informações sobre a programação, acesse o site theatromunicipal.org.br.

Mosteiro de São Bento

Foto: Pedro Vicente

Um dos pontos mais importantes da cidade possui uma influência arquitetônica única, uma rara representação Beuronense, que se caracteriza pela combinação de elementos das artes egípcia, bizantina e romântica, estilo praticamente destruído em sua totalidade na Segunda Guerra Mundial. Por essa razão, o Mosteiro é uma das raras representações desse estilo.

Entre as curiosidades do mosteiro, está a visita oficial do Papa Bento XVI, que se hospedou no local em sua visita ao Brasil, em 2007.

O relógio externo, alemão, é considerado o mais preciso da cidade, além de tocar em horas cheias e a cada 15 minutos.

Para mais informações, acesse o site oficial do Mosteiro de São Bento: http://mosteiro.org.br.

Catedral da Sé

Foto: Pedro Vicente

Inaugurada em 25 de janeiro de 1954, a Catedral da Sé é uma das primeiras igrejas construídas em São Paulo e é considerada uma das maiores representações mundiais do movimento neogótico. O movimento faz uso de elementos arquitetônicos como a abóbada de cruzaria de ogivas ou do arco quebrado, além de seus vitrais que retratam passagens bíblicas e até momentos históricos no Brasil, como a chegada dos portugueses. Possui  46 metros de largura e 111 de comprimento e a icônica cúpula com ascendência renascentista tem 65 metros de altura, com torres de 92 metros cada, além da capacidade de abrigar 8 mil pessoas. Sua construção foi feita a base de granito maciço e 800 toneladas de mármore em seu acabamento.

O local está aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Aos sábados e domingos, das 8h às 17h.

 

Centro Cultural Banco do Brasil

Foto: Pedro Vicente

Localizado no centro de São Paulo, o Centro Cultural Banco do Brasil é repleto de influências arquitetônicas em sua construção, além de possuir uma programação intensa. O edifício tem uma grande procura pelo seu aspecto visual, com uma mistura de estilo em sua composição, que vai desde a Art Déco em seu hall de entrada, passando por Art Noveau em vitrais no 1° andar. O estilo Eclético está presente em arcos romanos e nas colunas de representação grega, realizando uma fusão arquitetônica com sua clássica fachada simétrica Neoclássica.

 

Museu da Arte de São Paulo – MASP

Foto: Pedro Vicente

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) foi fundado em 1947, pela arquiteta Lina Bo Bardi, um projeto ambicioso financiado pelo empresário e jornalista Assis Chateaubriand. Bardi levou 12 anos entre o projeto e a execução, trazendo a sede para a Avenida Paulista. Atualmente, o museu é tido como um dos marcos de São Paulo, conhecido no país inteiro e ao redor do mundo. “Estamos falando da Avenida Paulista, então o mais importante eixo viário da cidade. Implantar um espaço cultural em suas intermediações e conferir uma permeabilidade visual com o edifício elevado, faz com que a cidade dialogue por diversos contextos em um único lugar. De um lado, vemos o centro histórico, do outro o Parque Trianon e o edifício marcando um momento de fundamental importância na história da arquitetura paulistana: o movimento modernista”, completa o professor Jardiel de Oliveira, mostrando como o contexto histórico e econômico influencia uma construção desse porte.

Um dos principais pontos da arquitetura do MASP é o vão livre. Mas esse fato não surgiu por pura inspiração da arquitetura, pois era uma necessidade da obra. A doação do terreno foi feita pela Prefeitura de São Paulo, com a condição de que jamais fosse construído um edifício no local, pois esconderia a paisagem da Avenida Nove de Julho. Assim, para atender a essa exigência, a arquiteta apresentou um projeto com um grande vão, onde era possível ver toda a paisagem preservada.

“Uma característica marcante é a singularidade do gabarito de altura, onde cada edifício apresenta uma medida diferente de seus vizinhos, sem dar continuidade a uma sequência padronizada, algo que podemos ver em cidades como Paris e Barcelona”, concluiu Jardiel Oliveira.

São Paulo é uma cidade única em vários segmentos, conta histórias sobre diversos países em diferentes campos da cultura e essas características fazem com que a maior cidade do hemisfério sul tenha uma identidade visual arquitetônica singular.

 

Pauta: Gustavo Oliveira
Reporter: Vinicius Mota
Editor/Revisor: Diego Dias
Fotografia: Pedro Vicente
Redes Sociais/Divulgação: Willian Moreira

2 comentários em “Arquitetura em São Paulo: diversidade de estilos em monumentos do nosso cotidiano

  • abril 26, 2019 em 8:31 am
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    Incrível a abordagem, realmente um ótimo artigo!!!

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  • abril 27, 2019 em 1:06 am
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    Vcs vão longe ,excelente trabalho!! 🤝

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