O poder da cultura marginal

Com homenagens a Marielle Franco, greve dos professores e críticas políticas, confira o que aconteceu na edição de março do Slam da Guilhermina.

Praça anexa à estação Guilhermina-Esperança fica lotada durante o evento. (Foto: Samuel Fragoso)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na última sexta-feira (23) nossa equipe foi conhecer de perto o Slam da Guilhermina. A noite começou com um teatro do grupo O Buraco d’Oráculo
mostrando aos presentes o espetáculo Pelas Ordens do Rei Que Pede Socorro, em que utiliza a cenopoesia. Depois do teatro, não faltou poesia boa para nos ajudar a refletir. Diversos temas foram abordados, como amor, periferia, drogas, racismo, política, homenagens e protestos contra a morte da vereadora Marielle Franco, executada a tiros na quarta-feira passada no Rio de Janeiro.

Público atento durante a declamação de um poema. (Foto: Samuel Fragoso)

O Slam da Guilhermina foi criado por Emerson Alcalde como uma manifestação de cultura e arte, que sempre acontece na última sexta-feira de cada mês, em uma praça anexa ao metrô Guilhermina–Esperança, no bairro da Zona Leste de São Paulo, com intuito de incentivar as pessoas a se envolverem mais com a literatura marginal e a criar gosto pela poesia. Para quem não conhece, o Slam começou em Chicago, nos Estados Unidos, em meados dos anos de 1980, criado por Marc Kelly Smith, na mesma época em que surgiu o hip-hop. Mesmo com quase 40 anos de existência, essa arte só chegou no Brasil a partir dos anos 2000.
As regras são bem simples: os participantes têm até três minutos para declamar sua poesia, que precisa ser de autoria própria, sem adereços ou acompanhamento musical. O texto pode ser escrito previamente, mas também pode ter improvisação. Não há regras sobre o formato da poesia e os temas são livres.

Emerson Alcade, organizador do Slam Guilhermina, em entrevista à AUN. (Foto: Samuel Fragoso)

“O Slam da Guilhermina acontece desde 2012 aqui numa praça anexa ao metrô Guilhermina – Esperança. É uma localidade que expressa a literatura marginal periférica da zona leste. Lá, é possível usufruir da arte de uma maneira pública e gratuita. A importância disso é que as pessoas que não têm acesso não iriam no teatro fechado, e quando você faz em uma praça pública é possível democratizar a arte e a cultura”, disse Emerson Alcade, fundador do Slam Guilhermina. Para ele, as pessoas que estão passando por ali acabam tendo a oportunidade de consumir, falar e ouvir sobre literatura brasileira. “O Slam nesse momento é uma das grandes expressões na cultural marginal das pessoas que não têm voz na sociedade, de LGBTs a negros e mulheres, entre outros. A Guilhermina é o primeiro Slam de rua do Brasil, então a bola da vez por ser uma cultura marginal. O projeto não é só protesto, é um campeonato de poesias, pode ser qualquer tema, qualquer assunto, mas hoje, em virtude do momento político do pais, acabou sendo um espaço de luta e resistência”, completou.
O Slam também vem sendo falado em sala de aula. Os alunos da E.E Prof. Marcos Antônio da Costa vieram do bairro de São Matheus só para conhecer o evento, acompanhados da professora de Língua Portuguesa, Sandra Félix dos Santos. “Já estou trabalhando com poesia marginal em sala de aula há algum tempo e acho que ela toca o aluno. Abre o caminho para ele se interessar por clássicos da literatura, como Machado de Assis, Eça de Queiroz e outros. No ano passado, nós fizemos nosso primeiro Slam da escola”, contou a professora.

A professora Sandra Félix usa poesia marginal nas aulas de Língua Portuguesa. (Foto: Suelen Anjos)

Quem se interessa por cultura e, em uma sexta-feira à noite, está procurando alternativas de entretenimento, saiba que ali na saída do metrô Guilhermina–Esperança, virando ao lado esquerdo, pode encontrar uma manifestação artística única, ao ar livre e com muita qualidade.
Ouça poesias apresentadas no Slam: https://www.youtube.com/watch?v=GhT5wyHQ6PY

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