Senac Lapa Scipião promove encontro Diálogos Contemporâneos com a mediadora Márcia Tiburi e a convidada Zélia Duncan

No bate-papo, Zélia Duncan fala sobre sua carreira, vida pessoal e a importância da educação formal e informal.

Na primeira quinta-feira de maio, 3, o Senac Lapa Scipião realizou o evento Diálogos Contemporâneos, com a mediadora Márcia Tiburi, 48, escritora brasileira com mais de 20 títulos publicados, artista plástica e professora de filosofia. A convidada da 4ª edição foi a cantora, compositora e atriz brasileira Zélia Duncan de 53 anos.

Márcia Tiburi iniciou a conversa fazendo uma explanação sobre como a subjetividade se constrói e a pessoa vem a ser o que ela é. A escritora classifica o seu questionamento como não abstrato. “É uma pergunta que envolve o contato e o retorno com a nossa subjetividade.” Para ela, isso é uma ideia cara à nossa época que anda meio abandonada, a questão da biografia que nos pertence. De acordo com a mediadora, é importante recuperar a biografia neste período em que ela nos foi roubada, com as redes sociais onde tudo é instantâneo e imediato. Muitas pessoas têm cancelado a relação com a interpretação do outro e de si mesmas. “Há uma interpretação constantemente cansada, que se contenta com o superficial.”

Ao responder ao questionamento de Márcia Tiburi, que usou uma frase de Píndaro, poeta grego, “torna-te quem tu és”, Zélia comentou sobre a necessidade de ver para querer e da importância dos exemplos. Para a cantora, está tudo por um triz. O caminho que você escolhe, um lugar para onde você olha que muda a sua vida toda.

Veja abaixo o vídeo em que Zélia Duncan conta a influência do vínculo familiar na carreira, sua cultura oral e a percepção dos professores sobre seu talento.

Zélia Duncan conta que fez teatro e praticou esportes na escola. A paixão da cantora é o basquete, chegou a jogar na seleção de Brasília. Na adolescência aprendeu a conviver em grupo, nas viagens levava o seu violão que sempre a acompanhava. Zélia confessa ter parado de jogar para cantar, mas é muito grata a seus professores de educação física. O esporte está presente na sua vida através da corrida que pratica.

Ainda na escola, participou de concursos musicais. Embora fosse um colégio religioso, havia um grupo de professores interessados em promover eventos artísticos, como festivais. “A escola era o lugar”, disse Zélia, que completou: “lá eu tinha o esporte, a banda e o teatro”. Hoje, a artista se declara não-religiosa, mas há um sentimento de gratidão quando recorda os momentos vividos na juventude.

No gancho da fala de Zélia, a mediadora Marcia Tiburi relembra que a sua escola “era deprimente”. Ao completar seu pensamento, seguiu dizendo que quanto mais ela vive, mais acredita que muita coisa depende das pessoas, da vontade pessoal de fazer. “Um desejo que está encarnado em cada um e que nos compete, independente de qualquer sistema socioeconômico e político.”

Zélia disse que é muito difícil ser artista antes de conseguir ser reconhecido como tal. Sofreu por sua profissão não ser levada em consideração, como qualquer outra. “Se você não me conhece, eu não existo, e até hoje quando querem nos atingir, nos chamam de vagabundos.” Quando jovem, a sua família buscava empregá-la por medo de ter uma artista em casa. Segundo Zélia, ela teve sorte por sempre saber que queria ser cantora e que os jovens são massacrados por tão cedo serem obrigados a escolher sua profissão.

A cantora, compositora e atriz cresceu em um ambiente machista. Seu pai não foi uma figura presente, seus pais se divorciaram quando ela tinha 12 anos. Foi nesse período, nesse ambiente de disputa entre meninos e meninas, que Zélia se descobriu homossexual.

O fato de ser cantora e compositora é uma novidade na história da canção brasileira. As mulheres raramente compunham e, na maioria das vezes, cantavam músicas escritas por homens, afirmou Márcia Tiburi. A convidada do evento Diálogos Contemporâneos fez sucesso por volta dos 30 anos, já com músicas de sua autoria. Zélia se sente satisfeita por conseguir que as pessoas as ouçam e por emocioná-las.

No final do encontro, a plateia teve a oportunidade de fazer perguntas. Solícita, a convidada respondeu a todos os questionamentos e, durante o encerramento, fez fotos com o público.

Para participar dos próximos eventos, fique ligado na programação do Senac Lapa Scipião:

http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?newsID=a355.htm&testeira=303&unit=SCI&sub=1

Repórter/Redator: Karina Abel

Pauteiro: Adnael Nogueira

Fotógrafa: Ana Vitória Bispo

Editora: Juliana Ferreira

Revisora: Karina Abel

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