Cinema para todos: projeto leva cursos para jovens da periferia

As inscrições estão abertas para o público de 15 a 25 anos.

Por Kelvim Caires e Vitor Gomes

“É nóis na fita” é um projeto social voltado à produção de cinema e realizado aos finais de semana na capital paulista. A ideia não é formar profissionais do audiovisual, mas dar oportunidades de conhecimento a jovens que moram em áreas periféricas.

O projeto é totalmente custeado com leis de incentivo à cultura. As técnicas e os processos de produção são ensinados aos finais de semana com aulas teóricas e atividades práticas. O aluno faz parte da produção de um curta-metragem, do roteiro à finalização. Durante as aulas, todos os equipamentos necessários para o desenvolvimento dos curtas são fornecidos pelo projeto. O único compromisso do aluno é se programar com as datas e comparecer a todas as aulas, pois para receber o diploma precisará de 100% de frequência.

Foto de Leonardo Kehdi, acervo “É nóis na fita”
Não é preciso ter nenhuma experiência anterior com a linguagem audiovisual, cada curso pode ter no máximo 25 alunos, o que facilita a aprendizagem. Leonardo Kehdi Júnior, produtor dos documentários Expedicionários e Constantino, é um dos responsáveis pelo curso e conta como foi o processo para iniciar as atividades. “Começou em 2014, a ideia foi da educadora Eliana Fonseca. Entrei no primeiro ano e ajudei a desenhar o projeto, mas foi com patrocínio de uma empresa privada, através da lei Rouanet, que tudo foi possível.”

Criado por Eliane Fonseca, professora universitária, no primeiro momento o intuito era levar conhecimento de universidade de uma forma itinerante, em forma de caravana para vários cantos do Brasil. Mostrar como fazer cinema para jovens sem ter um ponto fixo, sempre pensando em ir até locais onde as pessoas não conseguiriam ter contato com esse tipo de ferramenta cultural. O projeto foi redesenhado, levado para os CEUS e Fábricas de Cultura, em forma de parceria, trabalhando com a mensagem de ensinar produção cinematográfica aos cidadãos de baixa renda. O formato inicial era extenso, com meses de conteúdo presencial e a distância, o que acabava não atendendo a uma população cuja necessidade era aprender de forma mais rápida. A fase de maturação demorou cerca de três anos até chegar no formato atual, composto por cinco cursos por ano, executados em nove finais de semana, finalizando com uma mostra dos curtas criados pelos alunos. “Acabou agradando ainda mais nosso patrocinador e a população. Estamos com cinco anos e 600 alunos formados”, afirma Leonardo.

Alunos realizando atividade prática – foto do acervo “É nóis na fita”

Mudança na lei

Recentemente, o Ministério da Cidadania publicou instrução normativa com mudanças na Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, nome que será deixado de lado pela comunicação oficial do governo. A principal alteração é o valor máximo por projeto: cai de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão. O “É nóis na fita” recebe incentivos através da Lei para realizar suas atividades. “Com as mudanças divulgadas pelo Governo na lei de incentivo à cultura, não existe nada que nos prejudique. Como somos pequenos e só ocorreu uma mudança no limite de valor para R$ 1 milhão, definitivamente não nos afeta. Antigamente não tinha um teto, agora tem. Vai atrapalhar para quem tem projetos muito grandes como musicais, óperas, para nós não. Para ter uma ideia nossos gastos chegam a 600 mil por ano.” O produtor explica que algumas empresas têm incentivos direcionados para trabalhar com programas culturais e, como não poderão patrocinar projetos com altos valores, vão pulverizar a produção em propostas menores, o que ajuda os pequenos a oferecer serviços de melhor qualidade. Ele comenta ainda que o mercado decide se o produto é interessante para ser incentivado, não é possível saber se as empresas ficarão mais conservadoras ou continuarão ajudando projetos que trabalham com a liberdade criativa dos jovens da periferia, mas por enquanto é só especulação.
Além de oferecer o curso, eventualmente o “É nóis na fita” traz seminários que também são gratuitos, ministrados por profissionais renomados, que mostram novas técnicas para produção dos curtas, complementando o conhecimento adquirido nas oficinas.

Para 2019, procura mais visibilidade e pretende utilizar o YouTube, principal plataforma de streaming, para divulgar os trabalhos realizados por alunos, monitores e professores. A ideia é conseguir novos patrocinadores para expandir o atendimento a outras regiões carentes do Estado de São Paulo.

Os próximos cursos serão realizados nos locais abaixo e a inscrição deverá ser feita no site.

Unidade Centro – SP
ESCOLA DA CIDADE
Rua General Jardim, 65 – República
Período de inscrições: 27/04/2019 à 07/07/2019

Unidade Zona Sul – SP
FÁBRICA DE CULTURA CAPÃO REDONDO
Rua Bacia de São Francisco, s/n – Jd. São Bento – SP
Período de inscrições: 18/05/2019 às 21/07/2019.

Como as vagas são limitadas a 25 participantes, serão selecionados os candidatos que atendem aos requisitos da ficha de inscrição. Posteriormente serão chamados para uma entrevista com a equipe responsável pelo curso.

Para mais informações, entre em contato pelo telefone (11) 3064 9011 ou pelo e-mail contato@enoisnafita.com.br

Matéria produzida por Equipe New Direction
Revisora: Fernanda Souza
Redator: Vitor Gomes
Editor: Leonardo Bettanim
Mídias Sociais / Planejamento Multimídia: Douglas Gomes e Joyce Nayra
Fotógrafo: Joyce Nayra
Pauteiro/Repórter: Kelvim Caires

Um comentário em “Cinema para todos: projeto leva cursos para jovens da periferia

  • abril 26, 2019 em 12:38 pm
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    Excelente reportagem!

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