Dislexia: acompanhamento escolar pode facilitar aprendizagem

Dislexia é o distúrbio de aprendizado caracterizado pela dificuldade na fala, escrita e na soletração

Por Bianca Teixeira

É na escola que o transtorno aparece mais especificamente, pois lá a criança irá lidar diretamente com a leitura e escrita, todavia as escolas brasileiras em sua maioria não têm estrutura para lidar com disléxicos. Dados da IDA-International Dislexia Association indicam que 15 a 20% apresentam dificuldade no aprendizado baseado na linguagem e 70%a à 80% na leitura. O MEC adota uma política de educação baseada na inclusão, que não distingue os estudantes independente de suas dificuldades de aprendizado, e por isso não há escolas específicas para disléxicos e eles devem frequentar a escola regular. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, nenhuma instituição de ensino no Brasil, incluindo as particulares, apresenta todos os recursos devidamente estabelecidos para o público que necessita de Atendimento Educacional Especializado (AEE), e não somente disléxicos.

Os professores têm um papel importante no desenvolvimento, já que ele é mais lento do que os dos demais alunos, e cada disléxico tem um modo de aprendizado e necessita ser tratado como indivíduo. Segundo a Associação, a maior dificuldade encontrada para lidar com disléxicos é a desinformação, todavia há professores que buscam o conhecimento e formação de modo constante. Os docentes devem desenvolver programas, integração para melhor aprendizado e decidir quais estratégias seguir para melhorar o dia a dia do aluno.

O trabalho do educador tem que ser acompanhado pelos pais, que também têm um papel fundamental no ensino dos filhos, através de incentivo, para melhorar a autoestima, passar confiança. Os professores precisam informar aos familiares sobre a evolução da criança.

Durante a nossa conversa com a Associação Brasileira de Dislexia, eles nos informaram que não possuem quaisquer recursos advindos do Governo Federal, estadual, municipal ou de instituições públicas ou privadas, já que são uma instituição autossustentável. De acordo com a instituição, o melhor meio de medir a quantidade de disléxicos no país é por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), porém não há no SUS equipes multi e interdisciplinares específicas para avaliações de dificuldade e transtorno de aprendizagem.

Evitar expor o estudante a situações de leitura em voz alta, gravar aulas, ter direito a um tutor dentro e fora da escola, valorização do domínio do conteúdo, independentemente da leitura e escrita, tratar o disléxico com naturalidade, usar linguagem direta e clara, falar olhando nos olhos, proximidade com o professor, verificar discretamente se ele está compreendendo o assunto tratado, interação com outros colegas, são algumas das maneiras de aprimorar o conhecimento do aluno.

Para identificar os alunos com dislexia são necessários alguns sinais, como:

Sinais na Pré-escola

  • Dispersão
  • Fraco desenvolvimento da atenção
  • Atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem
  • Dificuldade de aprender rimas e canções
  • Fraco desenvolvimento da coordenação motora
  • Dificuldade com quebra-cabeças
  • Falta de interesse por livros impressos.

Sinais na Idade Escolar

  • Dificuldade na aquisição e automação da leitura e da escrita
  • Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras)
  • Desatenção e dispersão
  • Dificuldade em copiar de livros e da lousa
  • Dificuldade na coordenação motora fina (letras, desenhos, pinturas etc.) e/ou grossa (ginástica, dança etc.)
  • Desorganização geral, constantes atrasos na entrega de trabalho escolares e perda de seus pertences
  • Confusão para nomear entre esquerda e direita
  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas etc.
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou longas e vagas

 O processo de aprendizado é diário e cabe ao professor e aos pais despertar o interesse da criança, através de estímulo, criatividade e atenção para uma melhor qualidade de vida.

 

Pauta: Sabrina Rodrigues

Repórter: Bianca Teixeira

Revisor: Thaynara Bernardo

Editor: Lorraine Abrão

Fotógrafa: Vitória Moura

 

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