Educação emocional: um meio de preparar para a vida

Por Milena Barbosa

 

Vários estudos indicam que a escola é um dos campos de reflexão e intervenção do psicólogo escolar. A construção de pesquisas e conscientização sobre esse campo de atuação é necessária para a contribuição do debate estabelecido entre psicologia e educação. Porém, enquanto as escolas públicas ainda lutam para contratar profissionais multidisciplinares nas redes de ensino, as escolas particulares saem na frente e já possuem esse diferencial.

Localizado em São Paulo, na região do Itaim Paulista, o colégio particular Vida Ativa possui orientação psicológica para alunos. O coordenador Wellington Andrade de Paiva diz que o tratamento com o aluno é realizado através de uma observação cotidiana. Quando o aluno mostra um comportamento que não condiz com a realidade dos demais,  há uma conversa em busca de sintonia para encaminhá-lo à psicóloga do colégio, Cristina Morales.

 

Fachada do Colégio Vida Ativa

A conversa com o aluno envolve o próprio coordenador e a profissional de Psicologia. A proposta é analisar o estudante e seu momento familiar, para fazer um encaminhamento ou não, pois há situações em que não é necessário. Às vezes, problemas aparecem como questões momentâneas ou indisciplinas ligadas à idade. Um bom papo e uma troca de ideias podem resolver tudo rapidamente. Porém, quando isso não ocorre e percebe-se que aquele jovem apresenta comportamentos prejudiciais, como discurso de ódio, violência, situações de tragédia e desastres, ele é diretamente encaminhado para uma clínica psicológica. Lá, será assistido e, em casos específicos, encaminhado para um psiquiatra.

 

Wellington Andrade de Paiva, coordenador da instituição

 

Além disso, em alguns casos, há esclarecimento psicológico dirigido aos professores, que podem, individualmente, buscar conhecimento para maior compreensão sobre as causas do sofrimento emocional dos alunos.

Segundo Wellington Andrade de Paiva, a escola utiliza datas como o Setembro Amarelo, o Dia internacional da Mulher e outros para comemorar a valorização da vida. Nesses casos, os professores de todas as disciplinas se reúnem para criar projetos dinâmicos com os alunos em sala de aula.

Os jovens vão caracterizados ou escrevem cartas de conscientização, mas o mais interessante de tudo é que acaba acontecendo uma abordagem de sensibilização, envolvendo os diferentes grupos. “Temos um método diferente, somos a linha de frente, a gente conhece cada guerreiro, cada soldado, cada combatente, cada um que ganha, cada um que perde”, declara Wellington.

Há cerca de quatro anos, a coordenação da escola começou a destacar os índices de suicídio detectados nas campanhas do Setembro Amarelo.  Junto com os professores, passaram a trabalhar com o tema, apresentando aos alunos o que está acontecendo. “ O mais interessante é que eles se envolvem produzindo todo o conteúdo, os professores vão apenas orientando e conduzindo”, diz Wellington.

Para o coordenador, a questão do bullying em ambiente escolar é uma das que mais vem mobilizando os educadores. “Nossa primeira abordagem é fazer uma triagem sobre o que o aluno entende por isso, o que é, há quanto tempo vem acontecendo e o principal de tudo: quem está praticando? Um amigo? Muitas vezes não é bullying, e sim uma liberdade exagerada que o jovem deu para o colega. Mas quando há casos, que não são poucos, aí a coordenação atua junto aos pais, identificando os fatos com os alunos”, explica. 

imagem retirada da internet

O último caso de bullying registrado na escola foi de um rapaz e uma menina. Essa jovem sofria de um quadro depressivo, que hoje já foi superado. A escola entrou em contato com a mãe do agressor e ela tomou providências, fazendo- o mudar o foco. Muitos pais desconhecem atitudes mais violentas dos filhos em sala de aula e é necessário alertá-los. 

Para o coordenador, é muito importante os alunos terem educação emocional.  “Na filosofia, há um elemento que se estuda chamado sujeito e objeto. É uma matéria, um método de análise, com tudo aquilo que você se relaciona, o quanto isso te muda, como o contato com outro ser humano nos transforma, agrega e vice-versa. Cada um de nós carrega alguma mágoa, raiva, sonho, imaginação, tudo é sentimento, sensações, somos seres químicos.  Estamos em constante transformação e a importância de termos a emoção como um viés de estudo e análise é exatamente para entender que emoção é essa, que sentimento é esse”, argumentou.

Episódios como a recente tragédia de Suzano fornecem elementos de reflexão para as escolas que desejam promover a educação emocional. “Há alguns dias, perguntei para os alunos o que o caso de Suzano havia produzido neles. Alguns responderam que foi raiva, piedade ou tristeza. Mas outros disseram não sentir absolutamente nada. Em filosofia, o “ nada” é muita coisa, não é um vazio ou branco absoluto. Quando aconteceu o caso em Suzano, aproveitamos para apresentar alguns argumentos sobre a educação emocional e como ela dá chance de entender o mundo, compreender o relacionamento com a família, religião e outras pessoas ao seu redor”, diz.

 

Planejamento Multimídia e Editor – Ester Nascimento

Fotografo – Gabriel Wallace

Pauteiro e Revisor – Andreza Xavier

Repórter/Redator – Milena Barbosa

 

 

 

6 comentários em “Educação emocional: um meio de preparar para a vida

  • abril 10, 2019 em 2:11 pm
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    Fui aluna por cerca de 12 anos nessa escola, e hoje me orgulho ao ver que estão trabalhando seriamente com a educação emocional dos alunos.
    Mesmo que eu tenha completado meu ciclo lá agradeço bastante e fico feliz demais com essa matéria. 💖

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    • abril 11, 2019 em 1:16 am
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      As escolas precisam realmente de uma aula sobre educação emocional e autocontrole, isso de certa forma seria de um grande impacto positivo na vida de jovens e professores, e evitariam qualquer problema depressivo futuro, e gerariam jovens mais preparados para as frustrações da vida adulta.

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  • abril 10, 2019 em 3:36 pm
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    Em momento de grandes acontecimentos envolvendo a má conduta de “seres humanos” é essencial esse tipo de abordagem para reflexão do comportamento das pessoas, como a mente funciona e o que pode ser feito
    para prevenção desses fatos relacionados a saúde mental/emocional. Parabéns pela abordagem!

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  • abril 11, 2019 em 1:01 am
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    Melhor matéria!!! Parabéns gente <3. Ester linda

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  • abril 11, 2019 em 11:21 am
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    to com depressao por culpa da faculdade

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