Educação gera polêmica entre pais e professores

A educação brasileira tem sido discutida intensamente nas últimas décadas entre pais e professores. Afinal, que tipo de educação o Brasil oferece à população?

Mural em homenagem a funcionários e professores da Escola Estadual José Bonifácio, localizada na Zona Leste de São Paulo. Foto: Wallas Novais

Por Wallas Novais

Seja em casa ou na escola, a educação constrói um cidadão. Na educação escolar aprendemos a ler, escrever, compreender um texto, ter noções básicas de cálculos, mas atitudes recorrentes de pais e alunos provocam a seguinte dúvida: afinal, educação vem de onde, de casa ou da escola? Essa pergunta está presente há décadas no país.

Primeiro, para que possamos compreender esse debate, precisamos esclarecer o sentido da palavra “educação”. Segundo o dicionário, educação é a “aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano; pedagogia, didática, ensino”. Assim, podemos entender que educação é uma grande engrenagem. Inicialmente, ela precisa vir de casa, para depois, ser moldada na escola, assim sendo capaz de desenvolver uma pessoa e a sua percepção de mundo, suas escolhas e seus atos.

Para a professora Cleonice Nascimento, que leciona na Escola Estadual José Bonifácio, a educação é um dever do estado e da família, segundo a Constituição Brasileira. “Infelizmente, a família acha que só a escola é responsável. Na realidade, devemos lembrar que é uma tarefa de ambos, precisamos trabalhar juntos. O aluno não pode chegar leigo na escola, então o nosso dever é complementar sua educação.”

Os reflexos da educação, ou de sua falta, preocupam não somente  professores, mas também os alunos. Rafaela Araújo, aluna da Escola Estadual José Bonifácio, acredita que a falta de interesse dos estudantes é um grande problema que atinge o sistema de ensino. Os professores tentam conduzir as aulas “aos trancos e barrancos”, levando seus conhecimentos adiante, mesmo com todas as dificuldades sofridas na profissão.

Para a coordenadora da escola, Márcia Luiza Pereira, tudo mudou, principalmente o comportamento dos alunos e dos pais, que atualmente se importam menos com a vida dos filhos na escola. “Hoje, se marcamos uma reunião em uma sala de 40 alunos, vem apenas 15 mães e a maioria só vem para assinar, não querem saber sobre o comportamento de seu filho”, disse ela. A professora afirma, ainda, que não são todos os pais que deixaram de lado a vida escolar de seus filhos, alguns ainda insistem na educação e no estudo, pois “é algo que constrói uma pessoa e transforma vidas”.

Alunos do Ensino Médio da Escola Estadual José Bonifácio. Foto: Wallas Novais

Lucidalva Maria, inspetora da escola há mais de 17 anos, já presenciou muitas histórias e transformações, principalmente no comportamento dos alunos, e nem sempre essa mudança é para melhor. Alguns aspectos, como a tecnologia, evoluíram e facilitaram o aprendizado, mas por outro lado, a educação social, a que vem de casa, está cada vez mais precária. Para Lucidalva, a escola não tem a capacidade de assumir o papel dos pais, pois faltam recursos e ferramentas. “Sem um ajudar o outro não vai dar certo, pais e professores precisam caminhar juntos”, disse ela.

A educação é fundamental para todos, pois sem ela o país encontra diversas dificuldades para seu desenvolvimento. Com base nos dados apontados pelo MEC no ano de 2017, a cada dez alunos do Ensino Médio, sete tem o nível insuficiente em português e matemática. Os números são assustadores e mudanças precisam ser realizadas, mas, atualmente, parece difícil de acontecer. O atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, encontra-se no poder há poucos dias e o antigo ministro, Vélez Rodrigues, ficou por apenas três meses, mostrando a desorganização na educação brasileira.

Na opinião da maioria dos professores da Escola Estadual José Bonifácio, a desordem no atual governo vai gerar ainda mais problemas, pois não se pode colocar no poder um ministro que não se envolva com a causa da educação no país. Sem isso, a falta de reconhecimento da profissão e a falta de investimentos continuarão a acontecer. Para fazer a educação no país funcionar, pais e professores precisam trabalhar juntos, pois a educação é uma grande engrenagem na qual as peças principais são os dois lados. Junto com o interesse de aprender do jovem e os investimentos do governo, tudo colabora para que as coisas deem certo. Como disse a maioria dos professores: “temos que dar as mãos, caminhar juntos”.

Afinal, o que seria de um país sem educação?

Edição: Heloísa Freitas
Pauta: Luiz Gustavo Crispim
Revisão/Planejamento Multimídia e Redes Sociais: Tatiane Lima
Repórter/Redator: Wallas Novais

 

Um comentário em “Educação gera polêmica entre pais e professores

  • abril 13, 2019 em 1:57 am
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    Parabéns Wallas, Se vai longeee ! ❤

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