Ineficácia do ensino de inglês em escolas públicas é prejudicial aos alunos

O inglês é uma das línguas mais faladas no mundo. No Brasil, o ensino é precário e muitas vezes se restringe ao verbo to be. A má qualidade se dá pela falta de recursos financeiros e de materiais didáticos para o aprimoramento do aprendizado.

Por Stefanie Oliveira

Para ter conhecimento de nível básico do idioma inglês no Brasil, o aluno, automaticamente, procura escolas específicas para obter um resultado eficaz no aprendizado. A maioria dos professores que lecionam o inglês nas escolas públicas não possui formação na língua estrangeira. Outro ponto negativo é a falta de materiais didáticos que deveriam apoiar o desenvolvimento dos alunos em um progresso contínuo.

Apesar de a língua inglesa ser de extrema importância para a vida pessoal, social e profissional, muitas vezes ela é negligenciada pelos educadores, pais, responsáveis e até mesmo pelos alunos. Hoje, com a reforma da educação, o inglês se tornou uma disciplina optativa e menos estudantes terão contato com o idioma.

Dedy Linhares professor de inglês de escola particular. Foto por Leandra Tarraga.

Segundo o professor de inglês Dedy Linhares, “o ensino nas escolas particulares oferece mais oportunidades devido à variedade de recursos disponíveis e ao conteúdo mais completo”, fato que não ocorre em escolas públicas, pois o ensino não condiz com a realidade dos alunos que, na maioria das vezes, vêm de famílias carentes e possuem um ritmo de aprendizado mais lento por não estarem tão familiarizados com a gramática da língua inglesa.

De acordo com Dedy, “para um bom aprendizado seria melhor mais investimentos em tecnologia, para que o professor transmitisse o conteúdo de forma clara e objetiva”. Verbas públicas, se aplicadas em infraestrutura e profissionalização dos professores, trariam melhorias significativas na qualidade do ensino e com isso mais oportunidades para o futuro do aluno.

Embora o governo não invista em tecnologia adequada para o ensino do inglês em escolas públicas, as leis exigem que os professores de língua inglesa tenham conhecimento aprofundado sobre o assunto. Porém, muitas vezes, devido à ausência de educadores especializados no idioma estrangeiro, professores substitutos ou eventuais acabam assumindo as aulas sem o conhecimento específico necessário. 

Outro fator prejudicial ao ensino da língua inglesa nas escolas públicas é a superlotação em sala de aula. Enquanto cursos particulares oferecem uma média de 10 a 15 alunos, as escolas têm salas com mais de 30 estudantes. O tempo destinado ao ensino da linguagem também é considerado escasso. Devido a isso, a metodologia utilizada nos cursos particulares não pode ser aplicada nas escolas públicas. Segundo Sandra Regina Fonseca Moreira, professora de Letras da Universidade Cruzeiro do Sul, a grande questão não reside no fato de que não haja uma proposta didático-pedagógica para as escolas públicas. “Ela existe, é boa, e poderia ser aplicada se as condições mínimas para sua execução estivessem à disposição dos professores.”

Para Sandra, “vivemos na educação em geral, e no ensino de língua inglesa em particular, uma grande lacuna entre o que as teorias e propostas curriculares apresentam e o que é possível de ser realizado dentro da realidade escolar. Essa crise, infelizmente, não está presente apenas na educação, mas em todas as áreas da nossa sociedade.” Dessa forma, é possível observar que teoricamente o ensino de inglês até poderia funcionar, mas, na prática, há falhas que acontecem não somente com relação ao aprendizado dos alunos, mas também no preparo técnico dos docentes.  

Fotografia de Leandra Tarraga; Pauta de Janaína Melo; Edição de Vanessa Linhares; Revisão de Acsa Freire.

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