Projeto de Lei prevê ensino de libras nas escolas

A legislação que impôs a inclusão dos surdos em todas as áreas da sociedade foi promulgada em 2002 (Lei nº 10436). Oficialmente reconhecida no país como meio de comunicação e expressão das comunidades de surdos, a Língua Brasileira de Sinais até hoje enfrenta problemas em sua implantação, especialmente nas escolas da rede pública. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9,7 milhões de pessoas possuem deficiência auditiva, dados de 2010.

Gráfico elaborado: Juan Alejandro

Entretanto, uma série de medidas vêm sendo tomadas para mudar o cenário, como a criação da plataforma VLibras, em 2016. Resultado da parceria entre o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), por meio da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a tecnologia reúne uma série de ferramentas computacionais de código aberto capazes de traduzir texto, áudio e vídeo para Libras, disponíveis para computadores, smartphones e tablets.

Nova proposta em andamento

A primeira-dama Michelle Bolsonaro, que também é ativista pelos direitos da comunidade surda e intérprete da Igreja Batista Atitude, defendeu recentemente  a implantação de projetos sociais na área.  Uma proposta em discussão na Câmara prevê que as condições de oferta de ensino serão definidas em regulamento que tratarão da necessidade de formação de professores bilíngues, tradutores e intérpretes, além de tecnologias de comunicação em sinais. Também está prevista a realização de cursos para alfabetização em  Libras da comunidade estudantil em geral e dos pais de alunos com deficiência auditiva.

Para Alexandre dos Santos Figueira (48), pós-graduado em ensino de libras pelo Mackenzie, “é necessário promover um trabalho que estimule o diálogo, o conhecimento sobre a surdez e o respeito às diferenças dentro das escolas”. Em sua opinião, o sistema deve fazer parte da grade de matérias regulares. “É importante que os funcionários das escolas aprendam, além dos professores. A escola precisa, ainda, estimular os pais, principalmente dos alunos surdos, para melhorar a comunicação com seus filhos.”

Professor Alexandre Figueira na divulgação de seu livro, Material de Apoio para o Aprendizado de Libras (Jan 2011)

 

CURIOSIDADE

Nos últimos anos, vem aumentando a acessibilidade e a procura de cursos de Libras. O tema vem sendo bastante discutido pelas mídias. Em 2017, foi tema de redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) com “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Para muitos jovens, o tema foi de difícil desenvolvimento, uma vez que a abordagem do assunto dentro das escolas e nas mídias ainda é restrito.

O Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES) oferece, a cada seis meses, o curso gratuito de libras para surdos ou familiares. Para inscrições ou mais informações, veja o site abaixo.
https://www.servicos.gov.br/servico/realizar-matricula-no-curso-de-libras-do-ines?campaign=area-de-interesse

 

Ariana Thiffany (Repórter)
Juan Alejandro (Pauteiro)
Karina Costa (Revisora)
Larissa Lourenço (Redes Sociais)
Luis Oliveira (Editor)
Matheus Henrique (Repórter)

2 comentários em “Projeto de Lei prevê ensino de libras nas escolas

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