Ronin’s Quad, uma história de superação através do rugby adaptado

Como todos sabem, o esporte é fundamental para a saúde e, para pessoas com deficiência, a prática se torna ainda mais importante. Melhora a capacidade cardiovascular, aprimora a força, agilidade, coordenação motora e o equilíbrio. Além de todos esses benefícios, proporciona a sociabilização e torna o deficiente mais independente, elevando sua confiança e auto-estima. E é justamente com esses objetivos que a equipe Ronin’s Quad Rugby, a primeira equipe em cadeira de rodas da capital paulista, vem trabalhando para a inserção de deficientes físicos no  esporte adaptado, ainda que a prática convencional da modalidade não seja tão difundida em nosso país.

A origem do time foi uma reformulação de uma antiga equipe da Unicamp, de 2016, que por questões extra-campo acabou se desmembrando. No ano seguinte, em 2017, mesmo sem conseguir se associar à federação, a equipe já contava com um grupo de atletas que se reuniam para os treinamentos, além de um treinador e preparadores físicos, para que quando a oportunidade de disputar os campeonatos viesse, todos já estivessem competindo em um bom nível e, principalmente, com entrosamento.

Em abril de 2017, finalmente conseguiram seu objetivo da associação. “No início foi muito difícil obter a ajuda necessária, desde o local para treinarmos até o acesso aos equipamentos”, conta Denis Cairiac, atleta remanescente da equipe da Unicamp. Na época, o treinamento ocorria improvisadamente nas quadras abertas do CERET (Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador), na zona leste da capital, tendo que revezar as atividades com as outras pessoas que ali jogavam. Porém, com o passar do tempo, a administração do local apoiou o time, que hoje conta com a reserva fixa da quadra profissional coberta do clube, com toda a estrutura necessária para a prática dos treinos, que são feitos três vezes na semana, às terças, quintas e sábados.

Cada atleta conta com seu próprio material, que é adquirido por conta própria. O equipamento é trazido do exterior, pois aqui o custo é muito elevado para a fabricação e a durabilidade é inferior. Somente a cadeira, por exemplo, custa em média U$ 5 mil (aproximadamente R$ 16 mil),  então a solução mais econômica é comprá-las seminovas de atletas americanos, que as vendem por um valor em torno de U$1.500 (R$5 mil), pois lá o acesso aos equipamentos novos é mais fácil. Elas são feitas de alumínio temperado, que são mais resistentes aos fortes impactos que ocorrem durante a partida.

A bola oficial também não é fabricada aqui, tendo de ser importada por U$40 (aproximadamente R$150). Porém, pode ser substituída por uma bola de vôlei, pois seu tamanho e peso são similares. Além desses dois itens principais, a equipe também utiliza equipamentos secundários, para o conforto dos atletas, como ventilador e borrifadores, já que na maioria dos casos de tetraplegia, a glândula que produz o suor não funciona, e sem a devida hidratação os atletas correm o risco de mal-estar e desmaios.
Desde que o time foi fundado, há pouco menos de um ano, já disputaram quatro campeonatos, sendo vice-campeões paulistas, campeões brasileiros da segunda divisão e semifinalistas da Copa Caixa em 2017, e atualmente disputam a primeira divisão do campeonato brasileiro, na terceira colocação.
Dênis Cairiac e Lucas Junqueira fazem parte também da Seleção Brasileira de Rugby adaptado, que está disputando a eliminatória para o mundial na Suíça, entre os dias 2 e 9 de abril, sendo que os quatro melhores colocados se classificam para o mundial na Austrália no ano que vem. A equipe ainda está em busca de um patrocínio fixo.

Rugby Adaptado
O atleta Cleuton Nunes fazendo a manutenção de uma das cadeiras durante o treino.

 

Conheça mais sobre o Rugby Adaptado

Histórico

 

Rugby Adaptado

 

 

O esporte surgiu no Canadá, em 1977. Apesar de ser uma modalidade relativamente nova, sua expansão tem sido rápida. Em 1996, nos Jogos Paralímpicos de Atlanta, o Rugby em cadeira de rodas estreou na maior competição paralímpica mundial. Nesta ocasião, apenas os homens entraram em quadra. Já em Sydney (2000), as equipes eram formadas por homens e mulheres.

 

Regras

Rugby adaptado

 

 

O Rugby se assemelha bastante ao futebol americano, por ter quase os mesmos objetivos e ser um jogo que envolve forte contato físico. As equipes são formadas por quatro jogadores e há oito reservas à disposição do técnico. Esta grande quantidade de suplentes é explicada pela intensidade das colisões entre competidores e cadeiras. Homens e mulheres tetraplégicos atuam juntos. É necessário ter agilidade para manusear a bola, acelerar, frear e direcionar a cadeira.
Quadras de basquete de 15 metros de largura por 28 metros de comprimento são utilizadas no Rugby em cadeira de rodas, ao contrário dos campos de grama convencionais. A quadra é dividida em duas áreas. Há um círculo central e duas áreas-chave (um tipo de “grande área”), que ficam à frente das linhas de gol. Os jogadores de ataque só podem ficar dentro da área-chave por no máximo dez segundos, enquanto três jogadores de defesa têm o direito de permanecer no local por tempo indeterminado. A entrada do quarto jogador na área-chave resulta em uma penalidade (falta).
O objetivo do Rugby é marcar o gol, delimitado por dois cones verticais na linha de fundo da quadra. Entretanto, para fazê-lo é preciso passar a linha de gol adversária com duas rodas da cadeira. O atleta deve, obrigatoriamente, segurar a bola. O início do jogo funciona como no basquete: dois atletas permanecem dentro do círculo central na disputa pela bola, jogada ao alto pelo árbitro. Os atletas podem conduzi-la sobre suas coxas, passá-la para um companheiro de time ou quicá-la. O jogador pode ter a posse da bola por tempo indeterminado, mas precisa quicá-la pelo menos uma vez a cada 10 segundos. O time que tem a posse da bola não pode demorar mais de 12 segundos para entrar no campo do oponente e 40 segundos para finalizar a jogada. Esta medida visa tornar a modalidade o mais dinâmica possível.
As partidas são divididas em quatro períodos de oito minutos, cada. Entre o primeiro e o segundo quarto, há pausa de um minuto. Assim também ocorre entre a terceira e a última etapa. Do segundo para o terceiro período, cinco minutos são dados para o intervalo. Caso o jogo termine empatado, uma prorrogação de três minutos é disputada. Durante o tempo normal, assim como no basquete, cada time tem direito a dois tempos técnicos e cada atleta tem direito a quatro tempos de 30 segundos. Na prorrogação, um tempo técnico fica disponível para ambas as equipes.
No Brasil, a modalidade é organizada pela Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC).

Classificação dos pontos

Como é classificada a pontuação do rugby adaptado

 

O Rugby em cadeira de rodas é praticado por atletas tetraplégicos dos sexos masculino e feminino. Os jogadores são categorizados em sete classes a depender da habilidade funcional: 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5; 3,0 e 3,5. As classes superiores são destinadas aos atletas que têm maiores níveis funcionais e as classes mais baixas são para jogadores de menor funcionalidade. A classificação é baseada nos seguintes componentes:

Teste de banco: teste muscular realizado em toda a extremidade da musculatura superior, além do exame do alcance do movimento, tônus e sensação;

Teste funcional do tronco: é realizada uma avaliação do tronco e das extremidades inferiores em todos os planos e situações, que pode incluir um teste manual da musculatura do tronco;

Testes de movimentação funcional.

Editor: Ângelo dos Santos
 Fotógrafo: Bruna Caroline Santos
 Pauteiro: Luiz Augusto Camargo
 Repórteres: Ítalo Miyahara e Yan Fernandes
 Revisor: Victor Hugo Granjeia
 Redes Sociais: Marcos Junior
 Planejamento Multimídia: Lucas Sampaio

Um comentário em “Ronin’s Quad, uma história de superação através do rugby adaptado

  • março 28, 2018 em 4:38 pm
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    Bom título, boa matéria. Não sabia que existia esse tipo de esporte adaptado.

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