Tiffany: desempenho de transgênero no vôlei ainda é visto como problema

Por Luis Oliveira e Juan Alejandro

No Brasil, o esporte ainda convive com o preconceito em relação aos gêneros. O caso mais recente é a polêmica sobre a atleta Tiffany, uma transexual que jogava na liga masculina de vôlei, mas depois de sua cirurgia começou disputar na liga feminina.

No território onde o futebol domina, o voleibol vem ganhando cada vez mais espaço. Porém, ainda há um caminho a ser percorrido para o seu pleno reconhecimento. A legislação brasileira não contempla o voleibol como uma modalidade profissional e as únicas atividades esportivas em que o jogador possui registro em carteira de trabalho são o automobilismo, o boxe, o tênis e o futebol. Umas das principais causas é a falta de programação e divulgação na TV aberta, o que restringe os financiamentos para a área.  Outro fator importante é o ensino nas aulas de educação física das escolas, em que os professores ainda dão prioridade à prática do futebol, enquanto o vôlei fica em segundo plano.

Segundo o Atlas do Esporte (dados de 2004), o vôlei brasileiro vem ganhando mais espaço nos mundiais e nas olimpíadas que disputa, atingindo a marca de 15,3 milhões de praticantes no Brasil.

Instituto ADVM3

O Projeto de Vôlei Mãozinha, localizado na Zona Norte de São Paulo, foi fundado em 2011 pelo ex-atleta e também treinador Luiz Henrique Augusto, o “Mãozinha”. A Associação Desportiva Vôlei Escola Mãozinha (ADVM3), sem fins lucrativos, tem como objetivo desenvolver o ensino e a prática do voleibol para jovens, adultos e idosos.

Segundo Davi Nascimento, 20 anos, aluno da instituição Mãozinha, a atmosfera do local é muito boa. “O professor tem uma boa metodologia de treinamento, ele se preocupa com todos os alunos e cria um espírito de união entre todos”, conta. Em sua opinião, a associação é um local de aprendizado e desenvolvimento para gerações futuras do voleibol.

Aluno Davi Nascimento – Foto por Luis Oliveira

Site:https://www.voleimaozinha.com.br/

Caso Tiffany

Uma recente polêmica chegou ao mundo do esporte, com a história da transexual Tiffany, que jogou até 2017 na liga masculina de vôlei. Devido a uma cirurgia de mudança de sexo, a atleta agora disputa o campeonato na liga feminina. Esse fato tem dividido muitas opiniões entre atletas da área.

Em entrevista ao SporTV a jogadora do Guangdong Evergrande, Tandara Caixeta comentou sobre Tiffany

“O corpo é diferente de uma mulher, a fibra muscular dela é muito mais forte, dentro da puberdade ela cresceu com um desenvolvimento de sexo masculino, durante 30 anos foi assim, ela respira um pouco mais a circulação é diferente. Eu não concordo, eu acho que isso tudo tem que ser estudado, tem que ser revisto, se isso for legalizado, eu tenho que respeitar”

Na opinião do treinador Luiz Henrique Augusto, existe uma diferença física envolvida na discussão. “A mão feminina tem uma área xis de atrito e a mão masculina tem outra. Pouco se vê a mulher receber em defesa alta, por causa da mão pequena, já a do homem pega o tamanho da estrutura da massa muscular da Tiffany, em questão da velocidade de ataque. Então, ao meu ver, é muito diferente. Tanto é que a Federação Internacional de Vôlei, atualmente não permite atletas transexuais em eventos internacionais, portanto se o José Roberto, técnico da seleção de vôlei feminino, quiser convocar a Tiffany para a seleção, a atleta não poderá jogar. Eu sou contra a inserção de transexuais na modalidade feminina. Assim como existem em outros países ligas LGBT, eu acho que vai chegar o momento em que teremos uma liga transexual aqui no Brasil.”

Professor Luiz Henrique apelidado de mãozinha – Foto por Luis Oliveira

“Primeiro, temos que pensar no time, como a equipe enxerga essa situação, como a Tiffany se vê. Então, se ambos estão de acordo, está tudo certo. Há outras jogadoras muito mais fortes do que ela. Acho que aumentamos demais por conta da transexualidade”, argumenta Juliana Cassino, de 23 anos, aluna do projeto Mãozinha.

Aluna da ADVM3 Juliana Cassino – Foto por Luis Oliveira

Créditos:
Repórter/Fotógrafo: Luis Oliveira
Pauteiro/Repórter: Juan Alejandro
Revisor: Matheus Henrique
Revisora: Karina Costa
Editora: Larissa da Mata
Mídias Sociais: Ariana Almeida

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