No fim, quem paga é o consumidor

Por Sandra Cotrim e Felipe Hiroshi

Desde que a Petrobras implantou, em julho do ano passado, o sistema de reajustes de preços dos combustíveis quase que diários, buscando acompanhar as cotações internacionais do petróleo e o câmbio, o diesel e a gasolina tiveram aumento de quase 50% nas refinarias da empresa, com uma boa parcela sendo repassada para os postos.

Com os aumentos cada vez mais altos, a população sofre com os reajustes dos combustíveis. Os caminhoneiros são um exemplo disso, trabalhando quase sete dias na semana e precisando sempre de combustível, são dos que mais sofrem com o valor elevado da gasolina e principalmente do diesel, visto que este representa um total de 42% do custo da atividade.

As ameaças feitas sobre o protesto surgiram na sexta-feira (18), mas foi somente na segunda-feira (21) que ele começou em pelo menos 18 estados. Entre eles, estão Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

A principal reivindicação é a redução da carga tributária sobre o diesel, mas os motoristas também pediram a zeragem da alíquota de PIS/Pasep e Cofins e a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Para o caminhoneiro Luiz Henrique Resende da Silva, que trabalha na Barrepel Embalagens,  “a intenção dos motoristas é que o preço do óleo diesel volte a ser justo”.

Segundo especialistas, o aumento no combustível pode significar um impacto na atual situação de recuperação econômica. Com esta medida, o governo espera arrecadar cerca de R$10,4 bilhões a mais em 2018 e diminuir o déficit anual, que deve se estabelecer em no máximo R$139 bilhões.

Já para o consumidor, a diferença será visível para os bolsos.  Com a manutenção do preço da gasolina, haverá  inflação indireta no preço de outros produtos, considerando que qualquer reajuste no combustível tem impacto em toda a cadeia de produção. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode sofrer um aumento de até 0,65 ponto percentual, o que é considerado um retrocesso, pois na primeira quinzena de julho foi registrada a menor taxa desde 1999 (2,78%).

 

 

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