O empoderamento feminino na política

por Thiago Arantes, Fábio Saraiva e Luciana Monteiro.

A luta feminista por mais direitos, salários, ocupação de cargos de liderança em empresas e, principalmente, por mais respeito é muito antiga, porém vem ganhando força atualmente. O feminismo é responsável por grandes conquistas das mulheres na sociedade contemporânea, mas o caminho até conseguir a igualdade de gêneros é muito longo. Buscando demonstrar isso, nossa equipe jornalística foi atrás de dados sobre as grandes conquistas nos séculos XX e XXI e entrevistou três vereadoras estaduais de São Paulo para abordarmos o assunto.

Candidatura das mulheres na política brasileira

O número de mulheres como candidatas nas eleições aumentou, principalmente, devido à Lei nº 9.504/1997, que estabeleceu a cada partido ou coligação o dever de reservar pelo menos 30% de suas vagas para as candidaturas de mulheres, sancionada em 2009.

Infográfico por Fábio Saraiva, Ana Claudia de Souza e Jadson de Almeida

Os números mostram que, comparado ao sexo oposto, ainda é um número pequeno devido a uma série de fatores como a cultura machista que rege o nosso país, a falta de apoio de alguns partidos com a distribuição de cotas financeiras para ajudar nas campanhas e a falta de confiança das próprias mulheres, tendo em vista que representam o maior número de eleitores (51%).

A média de ocupação feminina dos cargos eletivos, no Brasil, é hoje de 14%, sendo, portanto, uma das mais baixas taxas do planeta, uma vez que está na 154ª posição entre 193 países e é o 3º pior colocado da América Latina, perdendo apenas para Belize e Haiti. Apesar de inovações no fortalecimento das regras eleitorais, com a atenção do Tribunal Superior Eleitoral à observância do cumprimento das cotas, com campanhas por mais participação das mulheres na política e de projetos como o Cidade 50-50 da ONU Mulheres, a participação na política não aumentou de forma significativa na última década e meia.

Mulheres atuantes no âmbito da política

EDIR SALES

Vereadora Edir Sales durante entrevista. / Foto por Luciana Monteiro

Vereadora na Câmara Municipal de São Paulo pelo PSD, Edir Sales também é professora, advogada e radialista. Foi deputada estadual por dois mandatos consecutivos e está em seu segundo mandato como vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Tem forte atuação em prol das causas femininas. Uma de suas vitórias na Câmara visa conscientizar a população sobre a importância do aleitamento materno, aplicando multa aos estabelecimentos que impedirem as mães de amamentarem. A vereadora é também criadora do dia do Empreendedorismo feminino. Sua conquista mais importante na luta pelos direitos da mulher foi a aprovação da Ação Ronda Maria da Penha, que pretende disponibilizar o “botão do pânico” para que as mulheres vítimas de agressão doméstica acionem de imediato a Guarda Civil Metropolitana, em casos de perigo.

“As mulheres não têm que superar o número de homens na política, e sim igualar, pois temos que trabalhar lado a lado”, afirmou a vereadora

SÂMIA BOMFIM

Sâmia Bomfim durante entrevista. / Foto por Luciana Monteiro

Sâmia Bomfim (28) é vereadora de São Paulo pelo PSOL. Entre suas bandeiras estão o feminismo e a juventude. Em menos de um ano de mandato, ela já apresentou mais de quarenta projetos dentro da Câmara de Vereadores, relativos a temas como educação, saúde, cultura, direitos humanos, defesa do funcionalismo público, direito à cidade, direitos das mulheres, direitos ao FGTS, direitos de negros e negras e direitos da juventude. É membro titular da Comissão de Saúde, Trabalho, Promoção Social e Mulher, e da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Relações Internacionais.

“A exclusão das mulheres na política tem um propósito, garantir que os nossos direitos não sejam atendidos, para que não tenhamos espaço nos cargos de poder, nossas leis e projetos não sejam aprovados. Essa situação vem sendo modificada, pois as mulheres estão fartas de não terem voz na política”, afirmou Sâmia Bomfim.

Entre suas propostas, destaca-se a CPI da Condição de Vulnerabilidade da Mulher, instalada em abril de 2017 na Câmara Municipal, da qual foi idealizadora e assumiu a função de sub-relatora para o tema da violência contra a mulher. Sua primeira lei foi sancionada em 10 de julho de 2017 (Lei 16.684) e obriga estabelecimentos públicos e privados do município de São Paulo a afixarem, em suas dependências, placas de aviso com o número do Disque Denúncia da Violência Contra a Mulher — o Disque 180. Ela ainda acrescenta que já foi vítima de preconceito. “Por ser mulher e jovem, não tinha muita credibilidade, mas estou conquistando meu espaço.”

SONINHA FRANCINE

Soninha Francine já foi vereadora por diferentes partidos. / Foto por Estadão.

Foi vereadora em São Paulo  de 2005 a 2008. Entre as suas áreas de atuação, foi professora, jornalista, palestrante, consultora, roteirista, diretora e apresentadora. Duas vezes candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PPS (2008 e 2012), também foi subprefeita da Lapa (2009). No Estado, foi Superintendente da SUTACO, Coordenadora de Políticas para a Diversidade. Em 2014, concorreu para deputada federal por São Paulo e em 2016 se elegeu vereadora com mais de 40 mil votos. No ano de 2017, foi Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social (janeiro-abril) assumindo sua cadeira de vereadora no parlamento paulistano em maio. Segundo Soninha, “tornar a lei (que regula a participação feminina e a ajuda financeira na campanha) mais rigorosa, exigindo por exemplo que mulheres sejam 50% do total de candidatos será muito positivo”. Sendo mais numerosas, elas terão mais poder de pressão. “Devemos sensibilizar as mulheres para que sejam mais atentas e os homens que se preocupam com o assunto para que sejam mais presentes e se manifestem mais a respeito” , completou.

Pauteiro: Ana Claudia Souza da Silva; Repórter: Thiago Arantes, Luciana Monteiro e Fábio Saraiva ; Editor: Gabrielle Cesaretti; Revisor: Jadson de Almeida; Multimídia: Steffanie Maia; Fotógrafo: Fábio Saraiva e Luciana Monteiro; Mídia Social: Luciana Monteiro.

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