Representatividade na política: onde estão os LGBTs?

A falta de representatividade LGBT é um desafio na política brasileira.

Por Julia Saraiva

O histórico de luta LGBT no Brasil sempre foi muito intenso. De acordo com estudo global realizado pelo Institute of Labor Economics (IZA), os cargos de chefia para pessoas LBGT são escassos no mundo todo e isso não é diferente na política brasileira.

Jean Wyllys (PSOL-RJ) era o único representante da diversidade LGBT na Câmara dos Deputados, porém, no começo de 2019, o deputado desistiu do mandato e saiu do país com medo de ameaças e foi substituído pelo suplente David Miranda, que também é LGBT.

O Brasil é um dos países que mais mata LGBTs no mundo e há necessidade de representantes dentro da política para poder desenvolver projetos eficientes, porém, no total, apenas oito LGBTs ocupam cargos legislativos no país, um número preocupante para a representatividade.

Infográfico por: Amanda Tung e Bárbara Lira

Evorah Cardoso, 35 anos, é professora, pesquisadora e ativista, integrante do #VoteLGBT, Rede Feminista de Juristas e diretora do #MeRepresenta. A ativista aponta vários problemas que podem explicar a baixa presença da diversidade na política, um deles é a cultura masculina e heterossexual na esfera pública. “A gente pode sintetizar o perfil predominante em um homem branco, de mais de 50 anos, cisgênero, oficialmente hétero, empresário. Isso não representa a sociedade brasileira”, afirma.

Para a professora, é importante encontrar políticos aliados das pautas LGBTs, mas só isso não é eficiente, pois não mostra uma representatividade prática. “A presença dessas minorias na política tem um efeito simbólico de mostrar para a população de que o espaço político pode ser ocupado por todos”, opina.

De acordo com o levantamento realizado pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), 377 LGBTs concorreram nas eleições municipais de 2016, um significativo aumento em comparação aos anos anteriores. “Isso aconteceu graças à iniciativa inovadora de formas representativas nas campanhas políticas e nos mandatos, que vêm levando a pauta LGBT de uma forma interseccional na própria gestão para dentro da esfera pública”, comenta Evorah.

#VoteLGBT

#VoteLGBT é um coletivo que desde 2014 busca aumentar a representatividade de travestis, transexuais, lésbicas, bissexuais e gays na política institucional brasileira. O principal objetivo é dar visibilidade a candidaturas pró-LGBTs e incentivar as pessoas, a incluírem pautas de respeito à diversidade na escolha de seus candidatos.

Nas eleições de 2016, o #VoteLGBT inova nas suas estratégias de mobilização ao se juntar com uma série de outras entidades para criar o #MeRepresenta, com o objetivo de promover a presença na política, por meio das mídias sociais, convidando candidatos para responder sobre direitos humanos.

Saiba mais sobre #VoteLGBT:

https://www.votelgbt.org/

 

Como sou representado?  

Integrantes do movimento LGBT afirmam que, com a falta de representatividade na política, se sentem incapazes de ver melhorias nas leis e pautas como a criminalização da homofobia. “A representação LGBT+ é importante em qualquer lugar, com isso nós podemos alcançar direitos que para algumas pessoas são básicos e para nós são extremamente importantes”, diz Allison de Jesus, 23 anos, estudante de Publicidade e LGBT.

Allison de Jesus – Arquivo pessoal

Um dos caminhos para maior representatividade LGBT dentro da política é o incentivo ao voto, não só dentro da comunidade, mas de pessoas que são contra o preconceito e a favor da diversidade. “O problema seria amenizado através do incentivo para que mais LGBTs se candidatem e tenham visibilidade maior sobre seus projetos. Também é importante pesquisar, ver projetos de políticos e cobrá-los por seus posicionamentos”, comenta a estudante LGBT Caroline Ferreira.

 

Pauteira/Redes Sociais: Amanda Tung

Repórter: Julia Saraiva

Editora/Revisora: Júlia Paiva

Planejamento multimídia/Fotografia: Bárbara Lira

Um comentário em “Representatividade na política: onde estão os LGBTs?

  • março 27, 2019 em 10:10 pm
    Permalink

    boa tarde

    ótima matéria!

    a co-deputada Raquel Marques, que foi eleita na mesma candidatura que a Érika Hilton, em São Paulo é declaradamente Lésbica. Entendo que isso não aumenta a quantidade de candidaturasa LGBTs eleitas, mas seria legal ter o nome dela no quadro do meio que lista as candidaturas eleitas por estado.

    Resposta

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