Aplicativos de consultas médicas são regulamentados pelo CFM

Todos os profissionais devem estar inscritos no Conselho Regional de Medicina (CRM) de onde irão atuar

Por: Raíssa Pilar

Em fevereiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a resolução normativa nº 2.178, que regulamenta os aplicativos popularmente conhecidos como “Ubers da medicina”, que permitem ao paciente solicitar atendimento médico domiciliar pelo serviço dos aplicativos, que são usados em smartphones e tablets.

Segundo o site do CFM, a necessidade de regulamentar o uso dos apps veio da preocupação em oferecer mais segurança ao ato médico e aos pacientes. Entre as regras necessárias para a atuação do serviço, estão a obrigatoriedade de que todos os especialistas anunciados sejam realmente preparados para atuação na área específica, o arquivamento dos prontuários médicos, a inscrição dos profissionais no Conselho Regional de Medicina (CRM) de onde irão atuar e, imprescindivelmente, a indicação de um médico diretor-técnico, pois esse profissional é o responsável por assegurar a qualidade do atendimento prestado.

A Resolução também prevê normas para a publicidade dos aplicativos. De acordo com as regras, não é permitido divulgar os valores das consultas ou promoções, pois pode ser considerado uma forma de “angariar clientela ou concorrência desleal”. Segundo a Instituição, o preço só poderá ser divulgado quando o paciente abrir a ficha do médico que deseja contratar.

Aplicativo DocWay foi um dos primeiros no Brasil (Foto: Thainná Bastos)

 

Uber da Medicina

Um dos primeiros APP’s a fornecerem o serviço no Brasil é hoje o mais usado. Presente em mais de 160 cidades no país, o DocWay possui 2750 médicos cadastrados. O aplicativo está disponível para download gratuitamente pelo celular, mas as consultas são pagas (com um valor médio de R$200,00, variando de acordo com a especialidade desejada). O paciente pode optar pelo médico, horário e lugar que deseja ser atendido. Em caso de emergências, o médico não poderá ser escolhido, mas o serviço garante que em até 3 horas o paciente irá receber o atendimento. Confira abaixo o uso e reconhecimento dos aplicativos pelos brasileiros:

 

É preciso ressaltar que esse tipo de atendimento não substitui o hospitalar. Segundo a Dra. Renata Demarque, Médica Psiquiatra, “O App deve ser entendido como um adicional, um benefício, não como algo que substituirá a consulta médica presencial [no hospital], ou para encher o médico com informações que muitas vezes sequer usamos.”

Apesar disso, a possibilidade de chamar um médico em casa auxilia muito pessoas com alguma deficiência ou dificuldade de locomoção por problemas diversos.  “Entendo que pacientes com dificuldades de locomoção e idosos podem se beneficiar muito desses aplicativos. Não vejo problemas desde que esteja regulamentado e que exista controle do CRM para o cadastro dos profissionais”, pontua Karen Sacomam, Farmacêutica.

Segundo pesquisa realizada entre março e abril deste ano, 11,1% das pessoas entrevistadas utilizam ou já utilizaram alguns dos apps e 66,7% utilizariam se precisassem, confira:

 

O importante é que os pacientes façam uma avaliação do problema clínico antes, para saber se não há a necessidade de chamar uma ambulância ou ir imediatamente ao hospital. Em muitos casos, o serviço de aplicativo não terá recursos para o atendimento como em caso de faturas e exames mais profundos, por exemplo.

 

 

Fotografia de Thainná Bastos; Edição de Marian Capelini; Revisão de Simone Miranda;

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