Conscientização e lembrança: ato em Osasco relembra as vítimas de amianto

As fibras de asbestos, também conhecidas como amianto, foram matéria-prima por muitos anos para caixas d’água, telhas e pastilhas, entre outros usos. Entretanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) comprovou que, ao ser
inalado, o produto libera substâncias cancerígenas que atacam o sistema respiratório. Em homenagem às vítimas do amianto, a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA) realizou um evento ecumênico em parceria com o Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CEREST) e a Prefeitura da cidade de Osasco, entre os dias 24 e 29 de março. O objetivo foi esclarecer quais os riscos para todos que tiveram contato direta ou indiretamente com a substância.

No Brasil, a indústria do Amianto cresceu nos anos 70, por ser um material abundante e barato, mesmo quando já existia conhecimento dos riscos, apresentados nas décadas de 40 e 50 pela OMS e pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). O material comprovadamente era perigoso e afetava não apenas os funcionários das fábricas, mas também as pessoas próximas aos locais de produção e até os expostos indiretamente, por meio dos materiais fabricados. Por ser uma doença que pode levar até 50 anos para se manifestar, os primeiros casos ainda são recentes. Em São Paulo, a matéria-prima foi proibida em 2007, por meio da lei de autoria do deputado federal Marcos Martins, que proibiu o uso em produtos como caixas d’água, papelões e telhas. O amianto começou a ser proibido em diversos países na década de 80, pois foram constatados os malefícios que pode causar à saúde. Uma medida importante foi tomada pela União Europeia, em janeiro de 2005, ao proibir qualquer uso ou importação no continente, porém apenas em 2017 a proibição passou a valer no território brasileiro.

Segundo os fundadores da ABREA, que são ex-funcionários expostos à fibra cancerígena, o intuito da Associação é lutar pelos direitos de todos que foram afetados e informar aqueles que não sabem os danos que podem ser
causados. A parceria que organizou a semana da conscientização ainda conta com a ajuda da Secretaria de Saúde, responsável por oferecer a realização dos exames aos expostos às fibras de asbestos e ajudar no acompanhamento das esposas e filhos de ex-funcionários. A manifestação aconteceu em frente ao Osasco Plaza shopping, na rua Antônio Agú, onde contou com a presença dos familiares das vítimas, e pessoas ligadas à Associação, além de ex-colegas de trabalho que ainda aguardam ressarcimento.

Para saber mais sobre a Associação: ABREA

Editor: Nathani Ribeiro

Fotógrafo: Esmeralda Santos

Pauteiro(a):Luana Moraes

Revisor: Elina Azevedo

Repórter: Felipe Hiroshi

Multimídia: Sandra Cotrim

Mídia Social: Emilly Rosa

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