Obesidade: mais de 50% da população brasileira está acima do peso, segundo pesquisa

O excesso de gordura corporal, doença mais conhecida como adiposidade, é uma das epidemias mais evidentes no Brasil e no mundo.

Por Pedro Vicente

Comidas rápidas (fast food), além de muito calóricas, não são a opção ideal para uma boa alimentação.
Foto: Gustavo Oliveira

Atualmente, observamos pessoas aderindo a uma alimentação à base de lanches hipercalóricos, refrigerantes e comida industrializada em geral. No Brasil, mais de 50% da população está acima do peso, segundo dados recentes levantados pelo IBGE.

Uma das razões apontadas pelo estudo é o excesso de refeições realizadas em lanchonetes. As razões por trás disso incluem a busca por praticidade, rapidez e sabor acentuado.

A combinação de vida sedentária e alimentação hipercalórica, adotada por grande parte da população urbana brasileira, contribui para a epidemia de obesidade. Segundo Renata Giudice de Oliveira Lewis, nutricionista e doutora na área de alimentação, as refeições oferecidas em lanchonetes de fast food geram compulsão por serem hiperpalatáveis, o que torna o seu consumo viciante e cada vez maior.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade tornou-se um dos maiores problemas no mundo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última pesquisa oficial, identificou um movimento crescente da obesidade no país. A estimativa é que em 2025 cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso.

Prevalência de indivíduos com excesso de peso e obesidade no total de pessoas com 18 anos ou mais de idade, por sexo, segundo os grupos de idade – Brasil – 2013

Questionada sobre as causas que provocam a doença, a especialista comentou que existem vários fatores relacionados à prevalência da obesidade atualmente. Podemos relacionar o ganho de peso com as mudanças de estilo de vida da população: redução da atividade física e aumento do consumo de alimentos ricos em calorias, visto que a obesidade é um desequilíbrio entre gasto e consumo de energia”, explica.

  Refeições bem balanceadas e com alimentos ricos em nutrientes é o ideal para todos.

 Foto Gustavo Oliveira

 

Consequências

Segundo a Dra. Renata Giudice, ingerir alimentos de má qualidade, ricos em açucares, ultraprocessados e deficientes em nutrientes, vitaminas, minerais e fibras essenciais para o corpo pode acarretar reações como alergias, transtornos gastrointestinais, enxaqueca, hiperatividade e mudanças no humor.

Em relação aos adolescentes e às crianças, pesquisas apontam que os casos são mais preocupantes e delicados, envolvendo até psicólogos. É rotineiro encontrar uma criança que não se alimenta adequadamente, este cenário é algo preocupante para as gerações atuais e futuras.

A criança preferir em sua lancheira uma maçã ao invés de salgadinho ou um suco natural no lugar do refrigerante é algo raro, em sua grande maioria. Isso é um problema grave, que deve ser conduzido pelos pais, com acompanhamento médico e psicológico para  a educação alimentar de seus filhos.

A nutricionista também foi questionada se existe a possibilidade de riscos de agravar outras doenças relacionadas à obesidade. Sem dúvida: a obesidade está relacionada com o aumento de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, além de diversos tipos de câncer, problemas osteoarticulares e dores crônicas, diabetes e situações metabólicas como colesterol elevado, triglicérides e pressão alta.

“Atingir seus objetivos pode ser mais simples e prazeroso se houver comprometimento pessoal”, diz nutricionista.

 

IMC

O Índice de Massa Corporal (IMC) atualmente gera dúvida para a grande maioria das pessoas. A sigla se refere à relação entre peso e altura dos indivíduos e é muito usada para avaliar a adequação em âmbito individual ou populacional. O resultado é obtido através do cálculo de peso (kg) dividido pela altura (em metros) ao quadrado. IMC = Peso/Altura2”.

No caso de adultos, um IMC acima de 30 kg/m2 já classifica uma pessoa como obesa. Apesar de ser uma doença grave, muitos ainda acreditam que “basta fechar a boca que passa”. Ao contrário, a superação do problema é um trabalho minucioso que leva tempo, muita dedicação pessoal e um acompanhamento médico. “O tratamento da obesidade é complexo e os pacientes deveriam ser sempre abordados por uma equipe multidisciplinar composta por médico endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico ou fisioterapeuta”, diz Renata Giudice. Por se tratar de uma doença crônica, o controle deve ser constante e o paciente deve receber um suporte mesmo após uma eventual alta

 Como aponta a tabela abaixo:

 

IMC: 18,5-24,9 Km/m2 Peso normal
25-29,9 Sobrepeso
30-34,9 Obesidade grau I
35-39,9 Obesidade grau II
Acima de 40 Obesidade grau III ou obesidade mórbida

 

O método indicado acima, segundo a especialista em nutrição é o mais genérico e não leva em consideração a composição corporal do indivíduo. Existem outras maneiras de avaliação para determinar ou estimar o percentual de gordura que também podem ser muito úteis para estabelecer o diagnóstico. Uma das estratégias citadas pela nutricionista é a Bioimpedância para a composição do acompanhamento nutricional: “É um teste realizado com um aparelho que mede a presença de tecido adiposo (gordura) e massa muscular e líquidos.Em caso de falha do tratamento comum, com dieta balanceada e atividade física, o paciente deve procurar outras soluções, especialmente quando se encontra em situação muito elevada em relação ao IMC ideal para o corpo. Medicamentos para emagrecer, balão intragástrico e cirurgia bariátrica são alguns dos recursos utilizados pelos profissionais, mas vale lembrar que a mudança comportamental é o único recurso que garante a manutenção do peso perdido ao longo prazo”, explica.

O quadro atualmente mostra a transição alimentar no Brasil, em que antes a desnutrição prevalecia e agora está entre os países que apresentam altas incidências de obesidade.

 

 

 

 

Pauteiro: Willian Moreira

Repórter: Pedro Vicente

Fotógrafo: Gustavo Oliveira

Redes sociais/divulgação: Diego Dias

Editor/revisor: Vinicius Mota                

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