Saúde íntima feminina: período menstrual e a busca pelo absorvente certo

Com as diversas opções de produtos para o ciclo menstrual, especialistas explicam o motivo pelo qual mulheres ainda preferem o tradicional absorvente.

Por Estela Aguiar

A evolução da medicina permitiu muitos avanços, entre eles, a criação de produtos que pudessem amenizar e servir como suporte para o ciclo menstrual. Hoje, no mercado, encontramos os tradicionais absorventes externos e internos descartáveis, o coletor e a calcinha menstrual.

O conhecimento do corpo e a liberdade feminina impulsionaram para que outros produtos pudessem ser reformulados com um novo conceito. Dessa forma, voltou ao mercado recentemente o coletor menstrual, hoje pouco conhecido entre mulheres mais velhas, como aponta a pesquisa abaixo, realizada na internet com 52 mulheres de idades variadas.

Pesquisa realizada com o público feminino das redes sociais.

Na época da vovó

Antigamente, as mulheres não possuíam tantos recursos, o método mais utilizado até 1920 eram as “toalhinhas”. Após o avanço tecnológico, na década de 1930, o Brasil comercializa o primeiro absorvente descartável. Somente anos depois, em 1974, foi lançado o absorvente interno, o O.B.

O primeiro copo menstrual comercializado foi inventado e patenteado pela atriz Leona Chalmers, em 1937. Na época, o produto caiu em desuso, pois era composto por borracha, que o tornava pesado.

A calcinha menstrual já havia sido pensada no final do século XIX, mas foi somente em 2008 que ela foi de fato idealizada, formulada e vendida pela engenheira-química norte-americana Julie Sygiel. Em 2015, em uma entrevista para a Revista Marie Claire, a engenheira informou que apesar de todas vantagens, a calcinha funciona como substituta apenas para fluxos moderados. Mas hoje no mercado as marcas produzem versões para todos os tipos de fluxo.

Um olhar profissional

Para a ginecologista e obstetra Mariana Rosário, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), o absorvente convencional está longe de ser substituído pelo produto reformulado. “O coletor é utilizado por pacientes específicas, em torno de 10% das mulheres que eu atendo fazem a utilização do produto.” Um dos fatores culminantes para não ser tão utilizado pelas mulheres é o preço elevado e o fato de ser comercializado, principalmente, em lojas on-line.

Médica ginecologista, Mariana Rosário.
(Foto por: Mônica Moreira)

Já a doutora Carla Montaldi Maruxo Youssef, formada pela faculdade de Medicina do ABC em ginecologia, obstetrícia e reprodução humana, o coletor é uma nova opção do mercado. Apesar de ser antigo, houve uma repercussão recente em torno de sua maior sustentabilidade, conquistando muitas adeptas. “O coletor e a calcinha menstrual dão muita praticidade e podem substituir, um dia, os absorventes externos. Mas é claro que depende muito da cultura de cada país, muitas mulheres optaram pelos novos métodos por causa de alergias causadas pelos absorventes convencionais”, explica a médica.
A estudante de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), Nádia Pereira Malieno, relatou que passou a utilizar o coletor pelo desconforto que sentia durante o período menstrual. “Sempre senti muito incômodo com os absorventes descartáveis externos, não conseguia de jeito nenhum usar O.B. O absorvente me dava uma sensação de que estava sempre suja. O coletor foi perfeito, os dois primeiros meses de uso foram de adaptação, mas depois peguei o jeito.”

Médica, Carla Youssef.
(Foto: arquivo pessoal)

A calcinha também é pouco utilizada por causa do valor, mas desde a sua invenção comercial, o produto vem tomando espaço no mercado. De acordo com a ginecologista Carla Youssef, “a calcinha deixa a vagina respirar melhor”.

O produto não é prejudicial, segundo a doutora Mariana Rosário. “A calcinha não tem contraindicação, porque se assemelha à toalhinha que antigamente era utilizada e para a sustentabilidade é um ganho enorme”.

Os absorventes externos e internos descartáveis ainda são a primeira opção de muitas mulheres pelo seu custo-benefício, mas também levam o primeiro lugar em infecções pélvicas, candidíase e a infecção do Choque Tóxico, além de demorarem para se decompor na natureza, uma estimativa em torno de 100 anos. Os tradicionais do mercado requerem mais cuidados de higiene do que o coletor e a calcinha menstrual, uma vez que é necessário realizar a troca do produto no máximo a cada três horas, para evitar a proliferação de fungos.

Apesar da liberdade sexual feminina e dos avanços permitidos por ela, ainda existem muitos mitos sobre o uso do O.B, absorvente interno. Carla Youssef explicou que as moças não perdem a virgindade com o uso do absorvente íntimo. “Podem ser utilizados por virgens porque o hímen é elástico.”

Os cuidados íntimos dentro e fora do período menstrual são essenciais para não ter desconfortos ou infecções. A doutora Mariana Rosário recomenda que no período menstrual, a mulher tenha ainda mais cuidado com a sua higiene íntima. “Sou super adepta ao sabonete íntimo em todas as lavagens, porque o pH da vagina é totalmente diferente do pH do corpo’’, conclui a ginecologista.

Choque Tóxico, você sabe o que é?

Fontes de pesquisa: Leona Chalmers – contexto histórico

Créditos:
Repórter e Mídias Sociais: Estela Aguiar
Edição e Revisão: Gabriela Cuerba
Pauta, Fotos e Infográfico: Mônica Moreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *