Saúde Pública em risco com diminuição nos índices de vacinação

Por Murillo Otávio

Índice de vacinação segue em declínio desde 2016 e preocupa governo, com possibilidade de ressurgimento das doenças já erradicadas.

 

Números do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam uma queda crescente na vacinação regular de crianças e adolescentes no Brasil. Essa situação é atribuída pelos especialistas em saúde à propaganda cada vez mais esporádica e à disseminação de notícias falsas, principalmente nas redes sociais.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI)  já foi referência mundial e hoje é uma das preocupações do governo. Recessão econômica, crise política, burocracia do sistema de vacina no Brasil são alguns fatores que também sustentam esse índice, fazendo com que os casos de sarampo, por exemplo, aumentassem 300% em pouco mais de um ano.

Segundo o Instituto Butantan de Imunobiológicos, responsável por grande porcentagem da produção de soros hiperimunes e grande volume da produção nacional de antígenos vacinais, a produção de vacinas é uma junção de três vírus indicados pela OMS (Organização Mundial De Saúde), são realizadas as importações das cepas e reagentes de laboratório oficiais da OMS, e é dado início às produções. “Somente depois de todos os testes realizados e aprovados pelo Controle e Garantia da Qualidade, a vacina é disponibilizada.”

José Silva, de 50 anos, ainda lembra do caso de 2014 em que jovens supostamente sofreram reação ao tomar a vacina contra HPV, em Bertioga, litoral de São Paulo. “Como pode você confiar nisso e sofrer com efeitos colaterais? É um absurdo”, revolta-se. Na época, a prefeitura e Ministério da Saúde garantiram a eficiência e a segurança da vacina. Os supostos efeitos colaterais das vítimas foram, posteriormente, apontados como reações psicológicas e desapareceram três dias depois. Mas até hoje o boato é utilizado pelos adeptos do movimento antivacina.

Em reportagem do El Pais, os grupos antivacinas são classificados como “pessoas que se propuseram a disseminar informações e posições contrárias à vacinação”. A reportagem alerta que no Brasil o movimento não tem grande expressão, mas passou a ter um olhar especial das autoridades após um caso de sarampo em 2011, numa criança na Vila Madalena. Região de classe média alta de São Paulo, onde se concentram pessoas com alto poder aquisitivo, o caso começou a partir de uma criança que não tinha recebido a vacina por opção familiar e a doença se espalhou.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2012 o índice de vacinação entre as classes altas foi o menor no país: 76% dos ricos não vacinaram seus filhos, enquanto entre os mais pobres a taxa foi de 81%.”

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe foi iniciada no último dia 10 de abril. Atendendo a todo território nacional, o programa se estende até 31 de março, com o objetivo de alcançar ao menos 90% da população brasileira. Crianças de 1 a 6 anos e mulheres grávidas recebem as primeiras dosagens, e após o dia 22 a população no geral recebe a vacina. É importante para a saúde pública do país retomar os altos índices de vacinação alcançados anteriormente.

 

 

  

Editora: Regiane Gomes

Repórter: Pablo Sobral

Redator: Murilo Ótavio

Fotógrafo: Pablo Sobral

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