Transtornos mentais: precisamos falar sobre

por Thiago dos Santos e Stefannie Maia

Transtornos mentais são alterações no funcionamento da mente que prejudicam as atividades e ações do ser humano em seu dia a dia. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 90% dos casos de suicídio estão relacionados a eles, além disso ela alerta que 10% da população mundial sofre de alguma psicopatia. Esse assunto vem preocupando a Organização das Nações Unidas (ONU), que projeta que em dez ou vinte anos, as principais causas de adoecimento serão as doenças mentais. 

Tipos mais comuns de transtornos mentais

Ansiedade

É uma reação normal que aparece diante de situações de estresse e incerteza. Mas o transtorno de ansiedade é diagnosticado quando vários sintomas ansiosos causam desconforto ou algum grau de comprometimento funcional na vida da pessoa. Alguém com transtorno de ansiedade pode ter dificuldades em diferentes áreas da vida: nos relacionamentos sociais e familiares, no trabalho, na escola etc. Existem diferentes tipos destes transtornos, como ataques de pânico, fobia social, agorafobia, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada.

Depressão

É uma psicopatologia grave e debilitante e afeta a maneira como a pessoa se sente, pensa e age. Pode causar sintomas físicos e psicológicos. Por exemplo: problemas de digestão, problemas de sono, mal-estar, fadiga etc. Muitas pessoas se sentem deprimidas em alguns momentos de suas vidas. Sentimentos de decepção, frustração e até mesmo de desespero são normais diante de uma decepção e podem durar vários dias antes de ir desaparecendo gradualmente. Mas, para algumas pessoas, esses sentimentos duram meses ou anos, causando sérios problemas no seu dia a dia.

Segundo a psicóloga, para dar o diagnóstico do paciente, o tempo varia de pessoa a pessoa, pois são doenças que caminham juntas e em alguns casos o tratamento de análise com psicanalista é feito com medicação além do acompanhamento psicológico. Para estar apto a exercer a sua função, um psicólogo tem que passar por cinco anos de análise com psicanalista, o que ajuda a saber lidar com esses casos e muitos outros.

 

Qual a causa dos transtornos mentais?

Maria Carolina Gam de Abreu, psicóloga clínica

 

A psicóloga Maria Carolina Gam de Abreu (32) atua na área clínica há nove anos e já se deparou com os casos mais variados de transtornos mentais.As pessoas têm uma base estrutural que as rege, e às vezes algo errado nisso pode ser um dos fatores que acarretam algum problema, podendo surgir neuroses e psicoses”,  diz.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a depressão, por exemplo, resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida, como desemprego, luto e trauma psicológico, são mais propensas a desenvolver a doença. Ela pode, por sua vez, levar a mais estresse e disfunção e piorar a situação de vida da pessoa afetada e o transtorno em si. Há relação entre a depressão e a saúde física; por exemplo, doenças cardiovasculares podem levar à depressão e vice-versa.

 

Fatores socioculturais

Fatores culturais podem ser a origem explícita ou imediata de um transtorno mental. Exemplos são distúrbios frutos da quebra de um tabu ou o não cumprimento de uma expectativa social, como o suicídio de alunos que não são aprovados em exames de admissão típico de algumas culturas do extremo oriente. A cultura determina a forma de expressão de determinados transtornos, por exemplo,  o conteúdo das alucinações, determinados tipos de obsessões e fobias.

Além disso, alguns transtornos têm sintomas diferentes em diferentes culturas, como no caso da depressão: na Ásia faltam os sentimentos de culpa típicos da depressão na Europa. Determinados fatores culturais, como a permissividade ou até mesmo a exigência de determinados tipos de comportamento que podem tornar-se patológicos, podem aumentar a frequência de determinados transtornos na população.

Assim, culturas em que o álcool é mais aceito e em que bebedeiras fazem parte de determinadas circunstâncias sociais tendem a ter maior número de casos de abuso e dependência desse tipo de substância. Essa é uma possível explicação para o fato de a esquizofrenia ter uma prognose mais positiva nos países em desenvolvimento do que nos países industrializados. O estudante de psicologia Miller Santos (32) também ressalta que um fator que pode desencadear os transtornos mentais é a vida virtual.

“Um elemento que está colaborando muito como gatilho dessas disfunções é a vida virtual, pois nela expressamos muito mais aquilo que gostaríamos de ser, do que o que realmente é, e acaba sendo um círculo nefasto de gatilhos para os transtornos, pois se ela tem, eu preciso ter, – se ele foi, eu preciso ir, – se ela faz, eu preciso também fazer.  Outra questão virtual são as inúmeras formas de atacar o próximo, e acreditar na não descoberta, na impunidade e no anonimato. Esse tipo de violência também causa muito sofrimento, assim como se tornou uma ferramenta eficaz da biopolítica. A manutenção do “padrão” pela rede é ainda mais dinâmica e voraz, e nos deixa ainda mais presos ao fazer ou não fazer parte.  Se não sou, quero ser, – e isso gera dor -, se não sou e não quero ser, isso gera retaliação por parte dos outros e, como consequência, dor.”

 – Miller Santos, estudante de psicologia

Casos mais graves de transtornos mentais

Transtornos Psicóticos

São psicopatologias graves em que as pessoas perdem o contato com a realidade. Dois dos principais sintomas são os delírios e as alucinações. Os delírios são crenças falsas, como a ideia de que alguém está seguindo. Alucinações são percepções falsas, tais como ouvir, ver ou sentir algo que não existe

Infográfico por Fábio Henrique Saraiva e Thiago dos Santos

Ao contrário dos delírios, que são equívocos da realidade sobre algo existente ou um objeto, ou seja, uma distorção de um estímulo externo, as alucinações são totalmente inventadas pela mente e não são produto da distorção de nenhum objeto presente, percebe-se algo sem levar em conta os estímulos externos. Por exemplo, ouvir vozes que saem de um plugue. Os distúrbios psicóticos mais comuns são o transtorno delirante e a esquizofrenia.

Transtornos de personalidade

É um padrão rígido e permanente no comportamento de uma pessoa, que gera desconforto, dificuldades em seus relacionamentos e em tudo à sua volta. Eles começam na adolescência ou início da idade adulta. Os mais comuns são o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), popularmente conhecido como “bipolaridade” e Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS).

Lidar com transtornos mentais

Maria Carolina afirma que “vivemos num mundo difícil, que não perdoa, muitas pessoas têm dificuldade de lidar com os problemas do mundo, tendem a se de afastar das pessoas com sintomas de transtornos mais latentes por não saberem lidar com isso, é a falta de empatia”.

A OMS, agência da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia mundial da saúde, em 2017, 10 de outubro, adotou como tema a saúde mental no trabalho, já que é onde o ser humano passa a maior parte do seu dia. Segundo a agência global, estatísticas apontam que uma a cada cinco pessoas no trabalho podem sofrer de algum  problema de saúde mental. Esses problemas vão impactar diretamente no ambiente de trabalho, causando perda de produtividade e faltas ao trabalho, entre outros. A organização do trabalho, a submissão a chefias autoritárias, a falta de comunicação entre as pessoas, o aumento no ritmo de trabalho e a exigência crescente de produtividade também são fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

O assédio moral, quando um superior ou um colega de trabalho submete o trabalhador a constrangimentos e humilhações de forma repetida e prolongada, também pode causar danos mentais. Os empregados devem ser orientados a reconhecer sinais de depressão entre os colegas, como a tristeza excessiva, a falta de esperança, a perda de interesse em atividades que antes traziam prazer e as modificações de apetite e hábitos de sono. Também é recomendado que o colaborador busque ajuda quando necessário e apoie quem esteja precisando de ajuda, converse com seu empregador sobre suas necessidades emocionais e pratique o autocuidado e a capacidade de se adaptar a novas situações.

Pauteira: Gabrielle Cesaretti; Repórter: Stefannie Maia; Editor: Fábio Henrique; Revisor: Ana Claudia Souza; Multimídia: Thiago dos Santos; Fotógrafo: Jadson de Almeida; Mídia Social: Luciana Monteiro.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *