Jornalismo esportivo e direitos humanos: homofobia e machismo enraizados

Palestra ministrada pelo jornalista Chico Bicudo abriu espaço para discussão sobre os Direitos Humanos e a relação do jornalismo com as minorias.

Por Sheila Pinheiro, Vitória Karoline, Giovana Duarte e Gabriela Cuerba

Foto: Gabriela Cuerba

Na última sexta-feira (3), a III Semana de Jornalismo, organizada pela Universidade Cruzeiro do Sul, recebeu o jornalista esportivo Francisco Bicudo em palestra mediada pela professora Flávia Delgado. A apresentação abriu espaço para uma roda de conversa focada nos direitos humanos e como eles também influenciam a cobertura de esporte.

Chico Bicudo é cronista, professor e jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes de São Paulo (ECA/USP). Autor dos livros “Crônicas Boleiras”, “Crônicas Boleiras – Segundo Tempo” e “Memórias de uma Copa no Brasil”, é também coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi e professor na mesma instituição desde 2001.

Bicudo iniciou a noite apresentando uma linha temporal que busca compreender os motivos pelos quais a sociedade brasileira se tornou preconceituosa ao longo de sua formação histórica e social. Após uma aula rápida e objetiva, onde apresentou temas como a miscigenação brasileira e o início do racismo culturalmente enraizado no país, Chico Bicudo pontuou também sobre a exclusão feminina, negra e homossexual no universo esportivo. “O machismo, o racismo e a homofobia são traços de identidade de formação que estão enraizados nas estruturas mais profundas da sociedade brasileira”, disse.

O jornalista abordou assuntos de grande relevância, como a primeira jogadora transexual a atuar na Superliga de vôlei pelo time Bauru de São Paulo. Segundo ele, Tiffany vem trazendo estranhamento ao público e à mídia, fazendo com que os jornalistas, treinadores e até mesmo outros jogadores e jogadoras saiam de sua zona de conforto ao tratar do caso. Afirmou, ainda, que a jogadora cumpre um papel extremamente importante na sociedade, obrigando cada um a olhar para essa realidade, reavaliando seus preconceitos e aos poucos demonstrando que o espaço do esporte também pertence a atletas LGBTQ+  que devem ser valorizados e, inclusive, incentivados em todos os campos sociais.

Foto: Divulgação

Ao citar o racismo dentro do esporte, o palestrante relembrou o episódio em que o goleiro Aranha, na época defensor do Santos, foi ofendido ao disputar a partida contra o Grêmio (RS) pela Copa do Brasil em 2014, e reafirmou a importância da resistência e reação contra esses preconceitos mascarados. “Não é possível aceitar como se fosse liberdade de expressão palavras que são, na verdade, discursos de ódio, que incitam a violência, reforçam preconceitos, estereótipos e que negam a essência da sociedade brasileira, que é a diversidade”, disse o jornalista.

Após denúncia do goleiro santista, o STJD julgou o caso eliminando a equipe do Grêmio da Copa do Brasil. A torcedora que foi flagrada cometendo o crime de injúria racial cumpriu a pena imposta.

Foto: Divulgação

Chico Bicudo também falou sobre a repercussão do recente contrato fechado pela  TV Bandeirantes com a CBF em torno da transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, já em andamento. “Acho fantástico, passou da hora. Demorou para que a gente pudesse ter, de fato, essa percepção, essa valorização.”

A transmissão de campeonatos femininos é um passo a mais para a visibilidade das mulheres no esporte, principalmente no futebol, tomado por preconceitos e características machistas. O convidado alertou que ainda há um longo caminho, que deve ser trilhado com paciência e sem esperar mudanças imediatas, como na audiência, patrocínio e grande visibilidade de mídia.

 

Repórter: Sheila Pinheiro

Fotografa: Gabriela Cuerba

Edição e Redação: Vitória Karoline

Edição e Redação: Giovana Duarte

Revisão: Gabriela Stella

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