A presença feminina no cenário do futebol

Por Djuly Pendek e Gabrielle Rodrigues

 

O futebol sempre foi marcado pela presença maciça dos homens, não só no campo, mas também nas torcidas, o que contribuiu muito com a ideia de que o esporte não era um ambiente feminino.

O esporte se desenvolveu como o mais popular no Brasil, tradicionalmente destinado à população masculina. Quando um menino nasce, geralmente o primeiro presente é uma bola ou algo relacionado ao futebol. Esse padrão é incorporado desde muito cedo, mas está mudando aos poucos, com a participação de mulheres no cenário futebolístico.

De acordo com uma pesquisa realizada pela revista Época em 2016, as mulheres ainda correspondem a uma parte muito pequena dos programas de sócios torcedores. Dos 12 clubes mais populares do Brasil, apenas um décimo do total é feminino. Na torcida do Internacional contamos com o maior número de associadas ao clube, 22%. No Corinthians 19%, Grêmio e Santos 15%, Cruzeiro e Palmeiras com 13%, Fluminense e Atlético-MG 12%, Botafogo, São Paulo, Vasco e Flamengo as porcentagens são abaixo de 10%.

Torcedora do Corinthians (Foto: Gabrielle Rodrigues)

 

Futebol é coisa de mulher

Um fato interessante ocorrido no Irã, que é um país onde há proibição de mulheres nos estádios e em qualquer lugar público com grandes aglomerações desde 1979, lei criada com a alegação de “protegê-las do comportamento obsceno dos homens”, cinco mulheres se disfarçaram do sexo oposto, com direito a barbas falsas e perucas, conseguindo enganar a segurança para assistir ao jogo do time do coração, o Persepolis.

 

 

Torcedoras do Persepolis (Foto: Instagram.com/zeinab_perspolisi_ak8)

 

No Brasil, o cenário é melhor, mas ainda lidamos com muito preconceito. Em um país onde existe o machismo, as mulheres enfrentam diversas situações desconfortáveis e constrangedoras. Memórias relacionadas às alegrias e tristezas fazem parte da luta para poder se envolver no “mundo do futebol”. Como torcedoras, passam por assédio de diversas maneiras e revistas policiais exageradas, entre outros problemas. Mariane Freitas, de 24 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, fanática pelo Palmeiras e frequentadora dos estádios desde muito nova, conta que o pai a ensinou a amar o futebol, principalmente o seu time. Ela sempre acompanhou os jogos, assistia pela TV em casa ou no estádio.

 

Cada vez mais, as mulheres estão visíveis nas arquibancadas. Mariane afirma que isso é muito bom, pois o paradigma de “futebol é coisa de homem” vem sendo quebrado dia após dia. Ela acha que o principal fator disso é pela mulher estar ganhando espaço, respeito e liberdade de um modo geral. Talvez o que há alguns anos atrás fosse “estranho”, hoje é normal.

Ainda assim, ela detecta preconceito no esporte. “Por mais que tenhamos o nosso espaço, ainda existem homens preconceituosos que acham que o futebol só pode ser apreciado pelo sexo masculino. `Ah, mas você sabe o que é impedimento? ´, `duvido que você saiba a escalação do time´ e, entre outras frases desse tipo, que ela já foi obrigada a ouvir”.

Para mulheres que sentem medo de frequentar estádios, Mariane incentiva:  “não sinta medo de expor o seu amor pelo time, independente se você entende 100% ou não de futebol, você tem o direito de estar na arquibancada e vibrar pelo seu time do coração. Hoje os estádios possuem ótimas estruturas, principalmente de segurança, então sinta-se tranquila de ir ao estádio um domingo à tarde com a sua família e assistir uma bela partida de futebol.”

 

Pauteiro: Elizabeth Perestrelo

Reporter: Djuly Pendek e Gabrielle Rodrigues

Editor: Maurício Canbui

Revisor: Paula Caroline

Planejamento multimídia: Rosimere Basilio

Redes Sociais: Jaqueline Melo

 

 

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