Eterno Capita: Morre Carlos Alberto Torres aos 72 anos

Por: Lucas Kalebe, Anderson Renato e Wilson Soto.

Na manhã da terça feira (25), o cenário do futebol brasileiro e internacional sofreu uma perda muito significante. O ex- jogador Carlos Alberto Torres faleceu em sua casa no Rio de Janeiro, vítima de um infarto fulminante enquanto fazia palavras cruzadas. Carinhosamente apelidado de “Capita” por seus ex-companheiros, a morte de Carlos Alberto foi muito sentida pelos amantes do esporte mais popular do mundo.

Grandes nomes do futebol lamentaram publicamente a morte do Capita. Maior nome da história do futebol, Pelé foi companheiro de Carlos Alberto no Santos, Seleção Brasileira e NY Cosmos, último clube da carreira dos dois jogadores. Em entrevista ao Estado de São Paulo, Pelé disse: “Fico triste com a morte do meu amigo irmão Carlos Alberto, nosso querido ‘Capita’ (…) Infelizmente a gente tem que entender isso e que a vida continua. Para a sua família mando minhas condolências.” Pelas redes sociais, muitos jogadores, como Romário e Neto, e times fizeram suas homenagens para Carlos Alberto, com destaque para os times Santos, Botafogo e Fluminense, equipes onde fez mais sucesso, e até o Manchester City, grande equipe inglesa onde o lateral nunca jogou, mas que fez questão de reconhecer a grandeza do jogador. Outro grande companheiro de equipe e amigo de Carlos Alberto, o campeão mundial de 74 Franz Beckenbauer, também usou as redes sociais para lamentar a morte do Capita. Em seu twitter oficial, o alemão postou uma foto junto do capitão.

"Heidi (esposa) e eu estamos profundamente chocados. O Carlos Alberto era como um irmão para mim, um dos meus melhores amigos!", publicou o alemão em sua conta oficial no Twitter.
“Heidi (esposa) e eu estamos profundamente chocados. O Carlos Alberto era como um irmão para mim, um dos meus melhores amigos!”, publicou o alemão em sua conta oficial no Twitter.

Carlos Alberto teve uma trajetória vitoriosa no futebol como jogador e treinador. Suas experiências dentro do campo foram pelo Flamengo, Botafogo e muitos títulos pelo Fluminense. Mas seu apogeu foi no Santos, ao lado de Pelé, Clodoaldo, Coutinho e Pepe, onde juntos conquistaram nove títulos, entre eles a Taça Brasil, Recopa Sul-Americana, Taça Rio-São Paulo e cinco Campeonatos Paulistas. Como técnico, o Capita recebeu um convite para treinar o Flamengo um ano após a sua aposentadoria e já foi campeão brasileiro no primeiro ano. Após a eliminação precoce na libertadores do mesmo ano, foi para o Fluminense, onde conquistou o título carioca do ano seguinte. Ainda teve passagens por Botafogo e Corinthians, em uma carreira que durou 22 anos.

Pela seleção brasileira, o “Capita” fez parte da equipe Tri-Campeã do mundo em 1970, com participação direta na conquista graças a sua liderança e técnica refinada. O lateral ainda anotou o ultimo tento na grande final contra a Itália, vencida pelo Brasil por 4 a 1, com um gol que é considerado até hoje um dos mais bonitos marcados em Copa do Mundo. Carlos Alberto também fez história no momento de celebrar o título, já que ao levantar a Taça Jules Rimet, deu um beijo emblemático no troféu. Esse gesto foi copiado por muitos capitães em edições seguintes, eternizando como um movimento típico na comemoração.

Ano após ano, o gesto se repetia nas celebrações. (Montagem: Lucas Kalebe)
Ano após ano, o gesto se repetia nas celebrações. (Montagem: Lucas Kalebe)

Em 2013, foi convidado pelos canais SporTV para ser comentarista de futebol do canal. Sempre com seus comentários precisos e experientes, de quem viveu uma das melhores fases do futebol brasileiros, o Capita fez parte da equipe que era responsável pela cobertura da Copa do Mundo no Brasil. Foi lá que criou uma grande amizade com o ex-jogador Ricardo Rocha, que tornou-se um amigo pessoal de Carlos Alberto, chegando a frequentar sua casa. Rocha foi um dos primeiros a saber do falecimento do Capita, lamentando muito a perda de um amigo.

Não foram somente familiares e amigos que perderam Carlos Alberto Torres. O futebol fica sem uma de suas maiores estrelas, referência de liderança e profissionalismo no Brasil, e um ícone mundial. Mesmo quase 35 anos após sua aposentadoria, Carlos Alberto ainda é visto como um dos maiores laterais direitos da história do futebol, além de ser um dos poucos jogadores que tiveram a honra de ser capitão de uma seleção campeã do mundo. E para ser capitão de uma das melhores seleções de todos os tempos, que encantou e revolucionou o futebol na época, não poderia ser qualquer um. Mas Carlos Alberto Torres convenceu o mundo todo de que fazia jus ao apelido de Capita.

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