O interesse do público monta a capa da Folha de S. Paulo

Por: Lucas Kalebe e June Hellen

Em levantamento realizado pelos estudantes de jornalismo da Cruzeiro do Sul, o jornal Folha de S. Paulo mostrou-se muito seletivo em suas matérias de capa, priorizando pelo interesse público do momento.

A Olimpíada de Verão realizadas no Rio de Janeiro não tomaram total atenção do povo brasileiro antes de seu início. Tomado por um sentimento de incredulidade no sucesso da execução dos jogos, qualidade das dependências e eficiência da organização, a população estava se preparando para sofrer uma inevitável chuva de críticas e reclamações dos estrangeiros, que apontariam todos os erros e atrasos que rondaram a preparação da cidade para os Jogos. Além do evento carregar uma enorme mancha de justificativas para superfaturações, corrupções, atrasos e falta de credibilidade com a população, os Jogos Olímpicos no Rio não animava muito o povo brasileiro. Por não ser uma superpotência nos esportes em geral, a Olimpíada aparece como a maneira mais dolorida de lembrar a todos habitantes que muitos esportes e atletas não recebem apoio nenhum, alguns são até totalmente desconhecidos. A performance do país em Jogos Olímpicos nunca foi algo que gerasse grandes expectativas, nem mesmo com a rara oportunidade de competir em solo brasileiro. Sem qualidade esperada, não há expectativas. Sem expectativas, não há interesse. Sem interesse, o produto não é vendido.

Com isso, os veículos impressos não viam a Olimpíada como algo que seria atrativo para o público. Esse fato era possível notar na montagem das capas diárias do jornal Folha de S. Paulo, que dedicava apenas uma pequena parcela de sua página frontal para falar dos Jogos.  Nas duas semanas anteriores aos Jogos, o máximo de espaço que a Olimpíada conseguiu ter na capa do jornal foi 30%, com fotos, e 14% com texto. O desapego do brasileiro com o assunto ainda era pouco, mesmo com o evento sendo realizado dentro do país. Essa postura deixava o jornal sem muitas opções, senão seguir mediante aquilo que o povo tinha vontade em saber, já que, enquanto os Jogos não começassem, a simpatia pelas notícias e matérias referentes ainda seriam poucas. Mas tudo isso mudou após a tão marcante e impressionante abertura dos Jogos.

Distribuição da capa no primeiro dia dos jogos.
Distribuição da capa no primeiro dia dos jogos.
Distribuição da capa no último dia dos jogos.
Distribuição da capa no último dia dos jogos.

Na abertura dos jogos olímpicos, os brasileiros e estrangeiros se encantaram com tamanho espetáculo. Um show de luzes e fogos iluminava o maracanã e artistas de renome homenageavam o país. No decorrer dos jogos, a população foi se animando com a olimpíada, e se animavam também as notícias que eram publicadas na Folha de S. Paulo. Ficou visível a influência que o leitor tem perante as publicações. A olimpíada que era vista como um escape para inúmeros problemas que o país enfrenta, conquistou cada um dos brasileiros, deixando-os orgulhosos de sediar um evento de tal porte. Com os jogos se tornando cada vez mais atraentes para os leitores, os veículos impressos não tendo alternativa, passaram a noticiar o lado bom da olimpíada, dando notoriedade a aspectos favoráveis, como a alegria que ela trouxe para todos.

Nos três dias que sucederam a olimpíada, a cobertura da Folha de S. Paulo foi muito otimista. Disponibilizando 17,6% do espaço da capa dedicados a texto e 32% dedicados a fotos. O conteúdo em sua maioria era neutro ou positivo. Durante os 18 dias pesquisados, é notável a mudança de postura da Folha perante a olimpíada, com manchetes antes cheias de criticas, encerra-se o evento com bastante prestígio. Mas essa brusca mudança nas notícias é considerável após o evento ter superado todas as expectativas e surpreendido grande parte da população.

 

 

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