Queda do avião da Chapecoense está sendo averiguada

Após uma semana do acidente com o vôo da LaMia, cair há alguns minutos antes de pousar no aeroporto de José Maria Córdova, o avião levava a delegação da Chapecoense para Medelin, na Colômbia. Mas ainda restam algumas perguntas sem respostas.

As operações de busca e resgate foram encerradas com o seguinte balanço: 6 feridos e 71 mortos, entre jogadores, jornalistas e tripulantes. O vôo que foi vetado, veio de uma restrição da Agencia Nacional de Aviação Civil (ANAC) e pela OACI (Organização Internacional da Aviação Civil) continha falhas – a OACI é a responsável por cuidar de várias áreas da aviação e recomenda procedimentos para seus países membros e assim se mantenha um padrão de segurança de vôo –.

A Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea (Aasana) da Bolívia divulgou uma noticia-crime contra a funcionaria Celia Castelo, que autorizou o plano de vôo da LaMia, mesmo constando erros na documentação. Outro ponto a se observar é que o avião tinha combustível para voar durante 4 horas e 22 minutos, duração exata da rota prevista, mas não tinha combustível necessário para voar por mais 30 minutos em caso de emergência, assim como não tinha os 5% a mais exigidos pela legislação boliviana, tratando de um vôo internacional. O Comitê de Operação de Emergência (COE) e a gerência do aeroporto informaram que a aeronave declarou emergência por falha técnica às 22h (local) entre as cidades de Ceja e La Unión.

Alguns especialistas indicam falha elétrica, enquanto outros, dão indícios sobre uma possível Pane Seca (expressão utilizada quando acontece de uma aeronave ficar sem combustível; secam os tanques). Para a especialista Laura, Pós-graduada em Segurança de Aviação e Aeronavegabilidade Continuada no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) diz “Na área da Aviação um acidente não ocorre por conta de uma falha só; entende-se que para haver uma ocorrência como esta, é necessário que exista uma sequência de falhas. Um autor bem conhecido na área do que é chamado de Fator Humano, das falhas humanas, o professor James Reason, e foi dele este esclarecimento, a teoria da cadeia de eventos, ou também conhecida como a Teoria do Queijo Suíço, pois sua imagem remete ao formato de um queijo com seus furinhos…entendendo-se que cada furo é o erro de alguém, de algum profissional da Aviação – entendendo-se hoje que todos, cada um na sua área de trabalho, possuem responsabilidade em relação à segurança de vôo” Laura, que também é credenciada como investigadora na área do fator humano pelo CENIPA, ainda diz que hoje cerca de 80% das falhas são humanas.

As causas que levaram ao acidente do avião que levava a Chapecoense para Medellín, só serão confirmadas após estudos e laudos técnicos pelas autoridades locais colombianas. Segundo a Aeronáutica Civil da Colômbia (Aerocivil), os dados e informações sobre o acidente ainda estão sendo colhidos para que seja iniciada uma apuração para esclarecer o porquê foi dada a autorização para a Lamia sobrevoar, pois a companhia tinha apenas um avião operando no dia e também está sendo averiguada qual a influência do piloto, que também é dono do avião.

Texto: Pamela Nagode | Foto: Logo oficial da Chapecoense, montagem Damaris Tavares

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