Crise política no Brasil reflete nas eleições municipais

Primeiras eleições após o impeachment consolidam crise nacional no PT.

Por: Lucas Kalebe e Anderson Renato

As eleições municipais por todo Brasil deixaram um legado questionável. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou no ultimo domingo (30) que 147 candidatos a prefeitura mais votados em suas cidades precisam ter seus registros aprovados pela Justiça Eleitoral para assumirem o cargo. Esses candidatos disputaram as eleições com duvida sobre sua elegibilidade ou até mesmo campanhas contestáveis, tanto pelo Ministério Público ou por adversários. O TSE tem até dezembro para analisar os casos dos vencedores e avaliar se podem assumir seus mandatos como prefeito.

Presidente do TSE afirma que muitos prefeitos eleitos serão investigados. (Divulgação: UOL)
Presidente do TSE afirma que muitos prefeitos eleitos serão investigados. (Divulgação: UOL)

Presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes deu seguinte declaração: “Sem dúvida nenhuma, esse é um esforço que teremos de fazer, daqui até dezembro, para definirmos todas as situações”.

O TSE ainda divulgou dados curiosos sobre o numero de abstenções, votos brancos e nulos, que somaram 32,5% em todo eleitorado do país no segundo turno. Em comparativo com as eleições de 2012, teve um crescimento de 4,5%. Na avaliação de Mendes há um “estranhamento” entre o eleitor e os políticos que o representam. “Alguma coisa se traduz nessa ausência ou também na opção pelo voto nulo”, afirmou o presidente, que também questionou o critério de justificativa por ausências no dia da votação “Não há dificuldade para se fazer justificativa. A multa que se aplica é quase simbólica, está em R$ 3.”

Mas de todos os fatos e estatísticas das eleições municipais de 2016, a que mais chamou atenção foi a derrocada queda do PT em número de candidatos eleitos. Somente no primeiro turno, o resultado eleitoral era o pior do partido desde 1995. A derrota em cidades significativas para a legenda, como São Paulo (um dos principais vencidos em 2012), Santo André e São Bernardo do Campo – berço político do partido – e Recife, única capital onde conseguiu chegar no segundo turno, foram derrotas significativas. Das quatro capitais onde o PT conseguiu eleger prefeitos em 2012, a legenda se manteve no poder em somente uma, em Rio Branco.

Esse declínio deve-se muito ao completo envolvimento do partido em escândalos de corrupção. Após o impeachment de Dilma Rousseff, o crescimento de acusações contra membros do PT, investigações sendo abertas e mandatos de prisão para políticos da legenda, a população foi para as urnas com um ideal principal em mente: não votar em um candidato do PT.

O Partido dos Trabalhadores perdeu mais de 400 municípios em todo país (Infográfico: UOL)
O Partido dos Trabalhadores perdeu mais de 400 municípios em todo país (Infográfico: UOL)

Com a imagem do partido tão maltratada e mal vista pela população, os candidatos foram mais julgados pela legenda do que por suas propostas. Em muitas cidades, os candidatos do PT eram aclamados pelo público, com ideias e promessas coerentes, mas o partido pelo qual se candidatavam foi um grande fator para impedir que fossem eleitos. Sendo assim, o vice-presidente nacional e secretário de Comunicação do PT, Alberto Cantalice, afirmou em seu Twitter que a grande derrota do PT nas eleições serão um passo inicial e necessário para as mudanças que ocorrerão no partido. A proposta é alterar a má imagem que ficou do partido, buscando usar nomes que tem uma excelente relação com a população. Um exemplo é o ex-presidente Lula, que foi apontado por Rui Falcão, atual presidente do PT, como seu principal candidato para assumir a presidência do partido. Independente das medidas a serem tomadas, os filiados do PT sabem que será preciso muito trabalho e alianças para que a imagem do partido volte a ter prestígio.

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