Desafios políticos e insistência de um vereador paulistano

Conheça Paulo Reis (PT), em seu primeiro mandato na Câmara Municipal de São Paulo

Por: Rodrigo França e Natália Alencar

Paulista de berço pobre, 54 anos, casado e, hoje, pai de três filhos. Chegou a São Paulo na década de 1970 com sua família, tendo como destino o bairro de Capão Redondo, extremo sul da cidade. O vereador de uma das maiores metrópoles do mundo – São Paulo – não chegou onde está com apenas uma tentativa. Sua militância pelo Partido dos Trabalhadores (PT), há mais de 24 anos, e suas incansáveis tentativas de dar uma nova cara à política brasileira, o levaram a se eleger seis vezes antes de vencer sua primeira eleição, em 2012, com mais de 28 mil votos.

Mas se engana quem pensa que o vereador teve seus primeiros passos profissionais na política. O petista começou sua carreira trabalhando na Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), empresa de economia mista responsável pelo gerenciamento de todo o sistema de transporte – privatizada pelo então prefeito Paulo Maluf (PP) em 1995. Seu currículo ainda conta com passagens por uma metalúrgica, Polícia Militar do Estado de São Paulo e, por fim, Polícia Civil. Já no meio político, Reis trabalhou na assessoria parlamentar do deputado Rui Falcão – hoje presidente nacional do PT – e na Secretaria de Governo da então prefeita Marta Suplicy, que atualmente é filiada ao PMDB. Desde jovem militando pela esquerda, Reis foi “escolhido pelo partido”, como prefere dizer. Por sempre estar ligado a movimentos sindicais, que tinham interferência do partido, Reis acabou se filiando sem nunca ter cogitado outra opção.

Em seu primeiro mandato – mesmo considerando o alto número de parlamentares da oposição, sendo mais que a situação, atualmente -, não considera que tenha existido ainda alguma dificuldade em ser vereador por São Paulo.

“Eu não me vi em dificuldade ainda aqui na Câmara. Graças a Deus, o pouco tempo que tenho por aqui, tudo o que a gente propôs a fazer até agora estamos fazendo. Eu presidi a Comissão de Segurança Pública e presido a Comissão de Educação. Então, particularmente, não sei se por conta da experiência que tive como assessor parlamentar na Assembleia, a gente está divulgando o trabalho que precisa ser feito, que precisa ser desenvolvido. Eu ainda não tive nada que não pudesse resolver”, destacou o vereador.

Paulo Reis sempre travou uma batalha contra o racismo e é autor da lei nº 15.939, de 23 de dezembro de 2013, que estabelece reserva de 20% dos cargos públicos para negros, negras e afrodescendentes. A escravidão no Brasil foi abolida em 1888, mas, desde então, o preconceito no Brasil é eminente.

jhj“O projeto foi sancionado pelo prefeito Fernando Haddad e está em pleno vigor. E o que mais me surpreendeu foi que nós tínhamos cerca de 300 procuradores municipais aqui na cidade de São Paulo e apenas três negros. E, com o advento dessa lei, o único concurso que foi feito, pra 70 vagas, nós passamos a ter 17 procuradores municipais. Esse projeto estabelece cotas não só nos concurso públicos, mas também cotas para os cargos de livre provimento e para estagiários. Ou seja, devemos ter cotas raciais para secretários, diretores de empresas, subprefeitos, secretários adjuntos. Seu impacto é muito forte pelos resultados já produzidos em vários concursos que foram feitos aqui em nossa cidade”, afirmou o vereador.

Reconhecimento

Por conta do projeto de Lei de Cotas, Reis ganhou quatro troféus, sendo dois da Sociedade Afrobrasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural (Afrobras), um da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um Troféu Noite Odara, Personalidade Negra.

Reeleito com pouco mais de 29 mil votos nas Eleições Municipais de 2016, Paulo Reis segue para seu segundo mandato na Câmara dos Vereadores.

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