Operação Mãos Limpas na Itália, inspirou a Lava Jato no Brasil

Foto: Creative Commons | Modificação da foto: Damaris Tavares

Uma das maiores operações anticorrupção da história europeia, foi a Mãos Limpas – ou Mani Pulite – na Itália, que ajudou a desmantelar diversos esquemas envolvendo pagamento de propina por empresas privadas, muitas delas interessadas em garantir contratos com estatais e órgãos públicos, além de acusar o desvio de recursos para o financiamento de campanhas políticas. Foi essa mega-investigação que levou ao fim da chamada Primeira República Italiana, na qual a agremiação Democracia Cristã (DC) e o Partido Socialista Italiano (PSI) eram as principais forças políticas do país.

A Mãos Limpas teve início em Milão, embora tenha se espalhando para outras cidades italianas. Seu ponto de partida foi a prisão de Mario Chiesa, em 1992, ligado ao PSI. Chiesa ocupava a diretoria de uma instituição filantrópica e era acusado de receber propina de uma empresa de limpeza.

Em um primeiro momento, o PSI tentou isolar Chiesa, mas o político logo começou a falar e incriminar colegas. As acusações cresceram de forma exponencial. Cada político, empresário ou funcionário público detido, implicava dezenas de outros acusados em seus depoimentos.

A operação investigou 872 empresários, 438 parlamentares e 4 Primeiro Ministros, liquidou com os quatro maiores partidos políticos do País – a Democracia Cristã; o Socialista; o Social Democrata e o Liberal -. O partido fascista, Movimento Social Italiano e o Partido República ficaram livres.

Os suspeitos recebiam incentivos para colaborar com a Justiça (esquema semelhante ao da delação premiada), e alguns também acabavam confessando seus crimes por desconhecer o teor do depoimento de colegas. No total, foram investigadas mais de 5 mil pessoas, entre elas, centenas de empresários, funcionários públicos e parlamentares.

Alguns suspeitos chegaram a cometer suicídio, como o presidente da ENI (Ente Nazionale Idrocarburi, multinacional petrolífera), Gabriele Cagliari e o multimilionário Raul Gardini, um dos empresários mais admirados da Itália até ser implicado no escândalo.

Como resultado, a correlação de forças políticas na Itália mudou completamente depois da Mãos Limpas. Os especialistas, porém, divergem com relação aos resultados das investigações no ambiente político e de negócios italiano no médio e longo prazo. Também apontam para a persistência da corrupção como um problema no atual sistema político italiano.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Mãos Limpas italiana de fato é a fonte de inspiração de muitos policiais e procuradores que atuam na Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações, tem escrito publicamente sobre a operação italiana, mas alguns simpatizantes do PT acham a comparação uma tentativa de “politizar” o caso.

Texto: Thais Carvalho | Revisão: Damaris Tavares

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