Comunicação: do início a era digital

Comunicólogos se adaptam as transformações causadas pela tecnologia.

Por: Letícia Neres.

Com a tecnologia a comunicação que resumidamente envolve um emissor, uma mensagem e um receptor, precisou se adequar os novos meios causando grandes mudanças no cenário e na vida dos profissionais da área.

Desde o início da civilização, o ser humano tem a necessidade de transmitir informações. Nota-se essa necessidade desde o período pré-histórico, quando o denominado homem das cavernas realizava essa transmissão através de pinturas nas paredes de sua residência. Desse período, até os dias atuais, o que conhecemos por comunicação passou por seis grandes revoluções, segundo o autor Irving Fang no livro “A history of Mass Communication – Six Information Revolution”.

Muitas das revoluções mencionadas por Fang sofreram grande influência tecnológica, como a captação e difusão de som e imagem, o desenvolvimento do videocassete, telefone e a internet que é a queridinha do momento.

Para aprofundar esse assunto, a Código on entrevistou Amanda Faia, editora chefe do Portal POPline, confira:

Código on: Olá Amanda! Para introduzirmos nosso assunto, quando pensamos na história da comunicação, de seu início até os dias atuais, para você qual seria a maior mudança?

Amanda Faia:  Quando ainda estava na faculdade falava-se muito de como a internet poderia mudar a forma de fazer jornalismo. As discussões sempre foram bastante cautelosas sobre a web limar o jornal impresso já que o rádio não acabou com a TV etc. Mas infelizmente vimos muitos veículos tradicionais se desfazendo de sua versão off-line e concentrando verba em sua versão online. É possível manter as duas formas de comunicação, acredito eu, com conteúdos diferentes, mas isso implica em profissionais que compreendam as características diferenciadas das duas opções oferecidas ao leitor (fazer off-line é diferente de fazer online, começando pela linguagem) e, claro, investimento. A web não limou o impresso e atualmente até dita pautas, principalmente na área de entretenimento a qual estou inserida. Acho que essas duas foram as mudanças vivenciadas com mais velocidade e intensidade.

Código on: A tecnologia influência no avanço de muitas áreas. Dentro da comunicação com a criação da internet e e-mails por exemplo, como você enxerga essa influência? Acredita ser vantagem ou desvantagem ao comunicólogo?

Amanda Faia:É sempre bem-vinda quando lidada por profissionais que entendam a atual realidade do mercado e que sabem circular bem tanto off-line quanto online. Há uma facilidade sim em enviar uma pauta por e-mail, por exemplo, mas isso também não exclui o contato mais pessoal entre assessores e jornalistas. Afinal, do mesmo jeito que a pauta chega mais rápido às redações, ela pode ser excluída com um toque.

 Código on: Como você enxerga a comunicação antes e depois da Internet?

Amanda Faia: Não tenho dúvida que é outra forma de comunicação. A mudança é drástica. Já mudou até a linguagem de alguns telejornais tradicionais, como o Jornal Nacional. A internet aproximou o remetente do destinatário, eliminou a pessoa/empresa que fazia o intermédio entre eles, transformou profissionais em celebridades e criou novas webcelebridades.

Código on: Atualmente você trabalha em um canal tecnológico, você acha possível afirmar que o público vai atrás da informação e não o contrário? O que isso muda no cenário comunicativo e de que forma isso transforma a sociedade?

Amanda Faia: No POPline, nossa maior faixa etária está entre 18 e 34 anos e cada vez mais percebemos que é mais difícil do leitor ir sim atrás da informação. É raro aquele perfil de leitor que tem o hábito de abrir um jornal ou até mesmo um site e buscar a informação. Nem sempre ela está ali disponível com tanta clareza e temos que percorrer algumas seções até chegar lá. Acredito eu que as redes sociais sejam “as maiores culpadas” desse movimento. Ali, tudo está de fácil alcance a um clique. Não é necessário entrar em um site já que a informação circula na timeline. E com tanta informação disponível ao mesmo tempo, ela acaba disputando a atenção do leitor. Então o comunicador precisa vender a reportagem com muito mais cuidado. Você precisa ganhar o leitor, se sobressair. É bem mais difícil.

 Código on: O Agenda Setting é uma das teorias da comunicação, que resumidamente propõe a ideia que os meios de comunicação em massa pauta o que o seu público pensa e fala. Você acredita que os avanços tecnológicos contradizem essa teoria? Uma vez que as pessoas tendem a buscar os assuntos que lhe interessam?

Amanda Faia: Acho que, infelizmente, os meios de comunicação em massa pautam o que o público pensa e fala. E a tecnologia só amplia o alcance dessa influência quando utilizada. Você tem razão quando diz que os assuntos hoje são mais “buscados” pela audiência, mas o compartilhamento de ideias nas redes sociais coloca a gente em mundos que muitas vezes não buscaríamos espontaneamente. E por mais que a gente viva intensamente a era da internet, a televisão, por exemplo, ainda é o principal canal de comunicação no Brasil. A diferença hoje em dia é que as pessoas assistem à TV conectadas, comentando e dividindo a experiência. Em 2014, se não me engano, uma pesquisa no IBGE garantia o acesso em 50% das moradias brasileiras. Contra 91% da televisão.

 Código on: Por fim Amanda,como você enxerga o futuro da comunicação? Acredita que existe a possibilidade dela se transformar ainda mais?

Amanda Faia: Nada é estático. Estamos vivendo uma era da informação cada vez mais frenética, com novas formas de nos comunicarmos. De 140 caracteres passamos para 10 segundos e continuamos nos comunicando. A cada ideia nova que surge, nos adaptamos. Existe sempre a possibilidade de transformação.

Amanda é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tendo 16 anos de profissão empregados em televisão e rádio FM e AM. A jornalista acredita que estudar, ler muito e trabalhar bastante ainda são o melhor conselho para quem quer ingressar na área da comunicação, e afirma: “é necessário estar bem mais disponível do que se acredita, ainda mais quando se trabalha online.”, conclui ela.

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