Paixão além dos gramados

Por: Nathália Peres e Leonardo Macedo.


Com uma história marcante para o mundo futebolístico, já são quase 100 anos de tradição de um futebol que pode ser pequeno em quesito de estrutura e investimento, mas grand em paixão, como times de outras ligas. De acordo com a liga paulistana de futebol amador de São Paulo, já são 1.440 times de várzea só na grande São Paulo.

Vai além de uma partida de 90 minutos, ou de um campo , a paixão pelo futebol começou muito antes da criação do Esporte clube Ferrolho Itaquerece , Orivaldo Nunes mais conhecido popularmente como Dinho (presidente do time) teve o seu primeiro contato com a bola no Sociedade Esportiva Elite Itaquerence quando tinha apenas cinco anos de idade, juntamente em outros campos que eram disponíveis na época (sendo poucos), tendo de exemplo de localidade na “NIFE” e no campo do Santana Itaquerence.

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Time da NIFE.

Com a indisponibilidade de lugares para praticar a sua paixão, Dinho decidiu fundar a famosa equipe de Itaquera e desde então já são 42 anos de história e contar toda ela não é fácil. Ferrolho já passou por perdas de jogadores e amigos importantes para a sua formação e juntamente, o time ultrapassou de ser apenas um time, ele virou uma família.

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Camisa comemorativa de 42 anos do Ferrolho.

O que já se tornou uma regra no time do ferrolho é ter uma Cerveja gelada, um churrasco na grelha e um futebol rolando. Nas vitórias e derrotas, a família ferrolho não abandona seu time, a paixão ultrapassa qualquer barreira “Eu sou ferrolho e não quero saber de mais nada. O ferrolho é tudo pra mim, é minha família e meus amigos. Eu vivo entorno do ferrolho” afirmou o Dinho.

Pendendo a conta de quantos títulos já conquistados, sendo o ultimo em 2012, Dinho se orgulha muito de tudo que já conquistou, mas pra ele, títulos não são o  principal e sim uma boa risada e uma boa confraternização. “Ir aos finais de semana acompanhar os jogos já se tornou tradição. Perdendo ou ganhando , sou Ferrolho e nada vai mudar isso .A família que criei ali dentro e principalmente a paixão pelo time faz com que todos os problemas sejam deixados de lado.” Ressaltou Jorge Cesar, vice presidente do time.

 

 

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Ferrolho campeão, 2012.

Já são anos de tradição e jogadores que, por meio do ferrolho, descobriram sua paixão pelo futebol e decidiram levar essa história à diante. Um bom exemplo é ex-jogador de futebol César Aparecido Rodrigues que, em sua juventude, iniciou os trabalhos no ferrolho e atingiu o seu ápice, conquistando títulos pela S.S Lazio (Itália), passou pela Internazionale de Milão, Corinthians, Bologna e outros ao final da carreira.

Atualmente é difícil ver um time da elite paulistana revelando craques para o futebol brasileiro e a várzea seria uma solução “a várzea é um ponta pé inicial para todo garoto que quer se tornar um jogador profissional (…) e ai vai depender muito da sorte e da categoria de base” ressalta Dinho. Outro exemplo mais recente é do atacante Leandro Damião, jogou na várzea até os 20 anos de idade, e foi revelado por um olheiro do Atlético de Ibirama (SC) e fez sucesso no clube colorado (Internacional). Dinho ainda acrescenta que “É uma pena que a várzea esta acabando, são muitas despesas para arcar”

A preocupação da prefeitura da zona leste em relação à várzea teve uma mudança relevante, vários campos estão sendo melhorados para o futebol na zona leste ser praticado de forma justa porém a vez do ferrolho não chegou totalmente. Mesmo com um projeto de um espaço no Parque Linear localizado no bairro de Itaquera, Dinho ainda prefere locomover o time para jogar nos campos adversários porque, para ele, não irá funcionar esse novo espaço, a estrutura não é adequada “não existe espaço com estrutura para a construção de um campo novo. A prefeitura até tenta mas no Parque Linear não pode ter , por exemplo , alvenaria para a criação de um vestiário.” A Secretária Municipal do Verde e do Meio Ambiente proíbe as tais alterações por conta que seu objetivo nesse parque seja conservar o meio ambiente diminuir os efeitos das enchentes. Segundo o site da Secretaria Municipal “Esses parques, além de representarem expansão da área verde na cidade, contribuirão para melhorar a permeabilidade do solo e para a proteção dos cursos d’água ainda não canalizados”. Sendo assim, o time do Ferrolho ainda continuara na luta de seus títulos mas principalmente, de poder jogar bola, não importa onde estejam.


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