Paulista: Vida e diversidade na madrugada

por Rodrigo Santos,Joyce Ribeiro Andreza Soares, Tayna Rebouças e  Athayde Barbosa.

Finalização: Amanda Amorim e Beatriz Santos

Edição: Marcos Babene

 

A Avenida Paulista é o cartão postal principal de São Paulo e talvez por isso pode ser até subestimada e menos explorada. Conhecemos o MASP, o Conjunto Nacional, a Livraria Cultura, o Parque Trianon, a Reserva Cultural, os teatros do Sesi-sp, Gazeta, os das travessas como o Augusta, o Brigadeiro, Bibi Ferreira e Renault…

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Porém, alguns personagens conhecem uma paulista badalada e talvez não tão divulgada: Um lugar de festa e diversidade.

O casal Pelther Bueno (mora em São Paulo há cinco anos) e Eloá de Fátima (Recém-chegada a capital) – vindos de Jaú ; interior de São Paulo –  buscam  o diferencial no público que frequenta os points da Augusta, seus bares e quiosques de rua, conhecendo pessoas de diferentes personalidades e diferentes culturas; algo que não se encontra tão fácil nos arredores Jauenses.

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Pelther trabalhava na Galeria do Rock, acabou conquistando uma despreocupação em agir como verdadeiramente é; o que acabou transformando a Augusta no seu point principal. “Sempre vai ter um espaço pra você aqui. Independente do que você gosta…”, completa Pelther. Reclamou de não ter um espaço tão aberto e disponível nas periferias da cidade, deixando a galera que mora mais afastada sem acesso à uma diversidade desse tipo. “Deveria ter também essa ideia na periferia pra poder abrir a mente da galera”.

Não vê diferença no comportamento do Paulistano que sai de manhã, no que sai à tarde e no da noite; já Eloá, diz que vê a diferença muito nítida. ” De noite eles não estão  na correria, né? De manhã é um atropelando o outro…”, diz Eloá.

 

Três figuras indiscretas e coloridas da Paulista também mostraram a sua preferência pela noite; as Drag Queens Mallu Vita, Geni e Crystal Emanuelle. “É um lugar de resistência mesmo”, dizem quando perguntadas sobre qual o principal interesse em celebrar naquele local. O contraste de ocupar um lugar que geralmente é usada para grande movimentação de paulistanos corridos e alunos da capital estressados para mostrar que a classe Drag Queen existe e é , sim , uma arte, foi o principal apontamento das três estrelas urbanas.

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Relembram o caso dos homossexuais que foram agredidos com lâmpadas na Paulista, num lugar super movimentado e vigiado com câmeras de segurança, onde não se viu tomar nenhuma providência imediata; “imagina o que acontece onde ninguém vê…”.  Enfatizam que a figura da Drag é um instrumento de pregação de Liberdade, de afeto e compartilhamento. “A Paulista é de todo mundo”. A escolha pelo local também se mostra por se sentirem mais seguras, já que é um lugar que “não para” e é movimentado “vinte e quatro horas”.

“Tem lugares movimentados que só têm um tipo de perfil; aqui tem perfil de tudo… Então a gente escolheu a Paulista exatamente por isso!”.

Comentam que, no caminho do metrô Brigadeiro até a Avenida, ganharam um pedaço de pizza, tiraram foto com um punk e com um deficiente físico e “dando entrevista… Que lugar que tem isso, gente…?! Aqui, Paulista”.

Se pudessem escolher um lugar dentro do complexo Avenida Paulista, escolheriam a Augusta. A diversidade musical, social, sexual é bem maior e mais agitada na visão das meninas. “Cada quadra que você vai é um estilo diferente…”.

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Apesar da preferência e intimidade com a Paulista, as Drags também demonstram o interesse de se ter mais lugares dentro de São Paulo que abracem e ofereçam essa diversidade. “A gente fala de representatividade… de resistência, mas eu tive que andar um hora e meia pra chegar aqui…” . Revelaram a insegurança que sentem em andar no próprio local onde moram, nos seus bairros, por conta da insegurança e violência, resultado de uma intolerância, na visão das personagens.

 

 

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