A melhor amiga da presidenta

Por: Camila Perillo.


Pode até parecer enredo de alguma série bem louca, entretanto nenhuma ficção poderia ser tão absurda quanto a trama que se desenrolou nos últimos dias na Coréia do Sul.

O Governo da presidenta sul-coreana, Park Geun-hye, enfrenta a pior crise de seus quatro anos de mandato. A governante já demitiu ou aceitou a demissão de cinco de seus assessores, e os pedidos para que ela renuncie ou se submeta a um processo de impeachment vem sendo mais vistos a cada a dia. No último fim de semana (29), milhares de pessoas concentraram-se diante da Casa Azul (sede da presidência), para exigir a renúncia de Park. Embora a Constituição não deixe  que a presidenta seja julgada durante seu mandato, a não ser em casos de traição à pátria, o Ministério Público criou uma “unidade especial” para investigar as suspeitas. A grande personagem do escândalo é Choi Soon-sil, uma confidente misteriosa de Park, e que se encontra agora sob suspeita de ter cometido tráfico de influência e ingerência indevida nos assuntos de Estado.

Segundo o site Exame, A relação entre as duas é de longa data. “O pai de Park, o ditador Park Chung-hee, já tinha como confidente o pai de Choi, Choi Tae-min, um empresário que começou sua carreira como policial e se tornou monge budista e depois pastor protestante antes de encabeçar sua própria seita, a Igreja da Vida Eterna, um culto que mistura elementos cristãos, budistas e animistas. A relação entre o presidente, assassinado em 1979 pelo seu próprio chefe de segurança, e o pregador era tão estreita que foi um dos motivos alegados pelo autor do magnicídio para assassinar Park. A jovem Park Geun-hye começou a se apoiar nos conselhos do velho Choi depois que a mãe dela foi morta em um atentado, em 1974. Não deixou de consultá-lo continuamente até que ele morreu, em 1994. A essa altura, já havia desenvolvido uma amizade semelhante com Soon-sil, segundo a imprensa sul-coreana. O ex-marido de Choi, Chung Yong-hoi, foi assessor de Park até 2013.”

O escândalo estourou na semana passada, após várias semanas de rumores e suspeitas por parte da mídia e dos cidadãos, uma TV local revelou ter encontrado um computador antigo e descriptografado de Choi onde ficava claro que ela havia assessorado o Governo quando se tratava de políticas nacionais e internacionais além de ter recebido documentos e informações sigilosas. Choi não ocupa nenhum cargo oficial do governo, nem muito menos é de um escalão que permitisse ter acesso a documentos confidenciais. Essa grande revelação abriu as portas para um mar de críticas contra a presidenta que já contava com baixos índices de popularidade e apenas um ano de mandato pela frente. Na terça-feira (01) , Park Geun-Hye veio a público pedir desculpas e admitiu que Choi havia dado sua “opinião pessoal” sobre alguns de seus discursos como presidenta e teve acesso a “alguns documentos” oficiais, mas não disse quais.

Mas as acusações não pararam por aí, Choi é suspeita de ter exercido sua influência para obter doações de grandes empresas sul-coreanas a duas ONGs controladas por ela e de ter desviado parte desse dinheiro para suas contas pessoais. Também há suspeitas sobre como que sua filha conseguiu uma vaga na universidade Ewha, uma das prestigiadas e concorridas do país. Enquanto tudo isso estava acontecendo na Coréia, a “acusada” estava desde o início dos rumores na Europa, voltou a Seul e compareceu nesta segunda-feira (31) a um órgão do Ministério Público para prestar depoimento.

Desde o início do escândalo, a popularidade da conservadora Park registrou uma queda brusca. Segundo uma pesquisa publicada na quinta-feira passada, situa-se em 21,5%, enquanto que nos seus primeiros três anos de mandato havia oscilado entre 30 e 50%, segundo a Reuters.


 

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