João Dória: O que esperar desse marinheiro de primeira viagem?

Por: Lucas Sedemac, Denis Cezar e Luana Meneses

João Agripino da Costa Doria Junior, nasceu em São Paulo no dia 16 de Dezembro de 1957. João Doria Jr., como é conhecido, é empresário, jornalista, publicitário e atualmente foi eleito com 53,29% para assumir o cargo de prefeito da maior cidade do Brasil, São Paulo. Nunca, na história, um candidato havia conseguido ser eleito no primeiro turno das eleições do município e João Doria, já na sua primeira candidatura, conseguiu tal feito.

João Doria diz que quando criança morava na Bahia e tinha orgulho de sua terra. Um baiano que tentou a sorte vindo para o Sudeste e venceu, tornando-se um profissional de grande sucesso. Mas Doria também já passou por um período bem complicado em sua vida quando, no exílio, o salário de seu pai, que era professor da Universidade de Sorbonne, em Paris, era bem menor que as despesas de sua família e foi onde tiveram muitas dificuldades. Doria voltou ao Brasil e começou a trabalhar, aos 13 anos, em uma agência onde seu pai já havia sido diretor. Doria não esconde seu orgulho ao dizer que é trabalhador há 45 anos. Veja detalhes da trajetória do prefeito eleito.

Mas com todo esse currículo invejável, o que esperar do governo de João Doria?

Entre algumas de suas propostas, descritas no plano de mandato disponibilizado para acesso público em seu site oficial, o futuro prefeito prometeu manter e ampliar algumas das medidas adotadas em gestões anteriores, como a criação de novos Centros de Educação Unificados (CEU). Doria também propôs a criação de programas de educação de trânsito, utilizando meios como rádio, televisão, internet e as escolas públicas para que as pessoas entendam e respeitem as regras no trânsito, depois da polêmica do aumento de velocidade nas vias.

Outro projeto de Doria é ampliar a educação em tempo integral. Logo iria ampliar também os CEU’s, que ele julga como uma ótima ideia, já que o espaço irá incluir interações com muita cultura, esportes e contará com cinco refeições por dia em seu governo.

Para a saúde, Doria quer que em um ano, a fila de 100 mil pessoas esperando por exames seja zerada, fazendo parcerias com hospitais privados e assim atender usuários do SUS de madrugada, o que seria chamado de “Corujão da Saúde”. Também irá contratar 800 médicos para atender nas periferias, reformar e ampliar as UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) e fazer a criação do prontuário eletrônico, modernizar o cartão SUS e hierarquizar o atendimento que é descentralizado.

Dória diz que não irá fazer uma gestão pensando na reeleição, mas sim em ser um bom prefeito, e diz respeitar os políticos. Com um serviço eficaz e rápido, Doria promete trabalhar em dobro.

Em cima destas propostas, entrevistamos o Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, André Assi Barreto. Para André, o fato de João Dória ser um empresário vitorioso, trazendo um modelo de gestão empresarial, onde os resultados e os lucros forçam um estudo detalhado antes de se tomar qualquer ação para não se ter prejuízo, pode ser bem eficaz na administração pública de uma cidade com a magnitude de São Paulo. Para ele podemos esperar uma gestão no mínimo eficaz administrativamente: “Uma gestão baseada na eficácia administrativa, isto é, capaz de criar meios de percorrer o caminho mais curto entre meta e resultado, como costuma ser no setor privado e no mercado financeiro. Um governo de enxugamento da máquina pública, que é, por definição, ineficaz. E ainda, a gestão de um workholic como Dória, que não descansa enquanto não lhe apresentarem diversas soluções para os problemas de uma metrópole como São Paulo.

André destacou a facilidade com que Doria venceu a disputa, principalmente em uma comparação com ex prefeito Fernando Haddad, inclusive nos locais onde Haddad tinha mais aceitação, as periferias, “A derrota de Fernando Haddad, especialmente nas periferias, só pode ser explicada por meio da rejeição completa ao projeto de cidade adotado por ele”. André usou como exemplo um projeto que causou grande debate na gestão do atual prefeito, a implementação das ciclo faixas pela cidade “Quem mora na periferia e trabalha no centro não vai pro trabalho de bicicleta, tanto pela distância quanto pelo problema da segurança. Quem se desloca diariamente do centro para a periferia não quer ir pra Paulista no domingo. A sensação das pessoas mais simples é que a gestão de Haddad não foi para elas, pelo menos não nas ações chamadas de “carro-chefe”. André ressalta sobre os escândalos em que o partido de Haddad esteve envolvido nos últimos anos, como também a ser considerado na derrota do petista. ainda a questão do prefeito Fernando Haddad ser do PT, partido envolvido em escândalos de corrupção de dimensões mundiais. E por fim, o fato das pessoas estarem saturadas de políticos, Doria não é político de profissão, não é carreirista e se vendeu assim durante a eleição; a insatisfação geral das pessoas com a política fez com que se sentissem atraídas pelo seu discurso”.

Para finalizar, o mestre em filosofia comenta que “Governos de políticos de carreira tem sido desastroso e desonesto. Um administrador vir para a gestão pública, com a experiência da iniciativa privada, onde ou as coisas funcionam ou o prejuízo é gigantesco, pelo menos é uma mudança de ares”.

E para os paulistanos resta apenas esperar, torcer e fiscalizar este novo modelo de mandato que está por vir.

Comunicador, empresário, mas nunca político.

Quando jovem, Doria, ainda estudante de comunicação social, iniciou sua carreira jornalística, assumindo a vaga de diretoria na antiga TV Tupi. Logo em seguida, exerceu o mesmo cargo na Rede Bandeirantes. Com toda experiência adquirida, Doria tornou-se diretor da MPM (maior agencia de propaganda do país na época). Formou-se na FAAP (Faculdade Armando Alvares Penteado) e fez vários cursos na área de gestão empresarial. Já adulto, aos 21 anos e formado em jornalismo e publicidade, Doria tornou-se diretor de comunicação da FAAP e da Rede Bandeirantes de Televisão.

Novo prefeito de São Paulo João Doria Jr..
Novo prefeito de São Paulo João Doria Jr.

No ano de 1983, Doria tornou-se Secretário Municipal de Turismo e Presidente da Paulistur. Entre os anos de 1986 a 1988, foi Presidente da EMBRATUR e do Conselho Nacional de Turismo. Já nos anos 90, montou sua produtora Videomax,

e começou a se dedicar a produção de programas televisivos, como o Sucesso da Rede Bandeirantes, Business, da Rede Manchete e Show Business, da RedeTV!, que em 2008 mudou-se para a Band.

De 2008 a 2011, Doria foi colunista da Revista ISTOÉ Dinheiro, também foi apresentador do reality show Aprendiz Universitário da Rede Record. Pela Doria Editora, publicou diversos livros para o mundo empresarial.

No ano de 2012, João Doria Jr. fez parte da lista das 100 pessoas mais influentes do Brasil, pelo quarto ano consecutivo. Dois anos mais tarde, ele apareceu como um dos 100 líderes de melhor reputação do Brasil.

Doria também é o criador e presidente do Grupo Doria, uma associação que promove diversos tipos de eventos pagos. O grupo conta com cerca de 1700 empresas nacionais e multinacionais cadastradas, e respondem a 52% do PIB privado do Brasil.

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