Caso Escola Base encerra a Semana de Jornalismo

Texto por Luiz Lucas e Jéssica Franciele

Entrevistas por Juliana Souza

Revisão por Jéssica Franciele e Luiz Lucas

Foto de capa por Cristian Barbosa


Emilio Coutinho conta sobre o mau uso do jornalismo em livro lançado 21 anos após o caso

Depois uma longa semana de verdadeiras aulas sobre diversos meios e segmentos jornalísticos, a sexta-feira (5) foi marcada por fortes emoções e aprendizagem, nessa que é a XIV ENCOM, agora também chamada orgulhosamente de Semana de Jornalismo.

A começar pelas ótimas canções de Edvaldo Santana, músico que tem parcerias com outro grande artista, Arnaldo Antunes e letras que falam desde o cotidiano do bairro de São Miguel, onde nasceu, a uma letra cômica, falando da chegada de Pedro Álvares Cabral às “Índias.”

Depois, foi a vez de Emílio Coutinho, criador do site Casa dos Focas e autor do livro, recentemente lançado, Escola Base – esse que é o título de um assunto amplamente divulgado pelos professores quando o assunto é ética jornalística – explicar como foi escrever sobre um ocorrido de 1994, mas que não é explanado abertamente nos dias de hoje. Ele fala sobre a difícil missão de se produzir o livro sozinho, que é também seu projeto de TCC e que custou muita apuração e produção – foram mais de 2 anos de pesquisa, desde que pensou nesse tema como trabalho de conclusão. Coutinho nos conta ainda sobre as lições que a imprensa aprendeu com o caso, mas infelizmente ainda age da mesma forma que há 23 anos. “O jornalismo julgou e deixou a população fazer justiça com as próprias mãos.” Perguntado sobre o motivo de escolher um livro reportagem e não outra forma de propagar novamente do caso, ele diz que pouco se fala nessa mancha causada na imprensa e que a melhor forma de se explicar o ambiente e as conversas com as vítimas dessa injustiça jornalística seria através do texto. “Livro é a melhor forma de montar uma grande reportagem, as vítimas não queriam aparecer nas câmeras e escrevendo o relato eu transmitiria mais verdadeiramente os fatos.” Mas, mesmo dizendo a respeito da importância do respeito pela fonte afirma “não somos obrigados a satisfazer o desejo da fonte.” Outra lição muito importante citada e também já aprendida em sala de aula é que não existe apenas o preto e o branco numa pauta, entre eles existe o cinza, que são as outras versões, não apenas a da fonte oficial – que foi o delegado do caso, onde a mídia se apegou fielmente, sem buscar provas concretas – ou as das vítimas, pessoas essas que eram crianças e os porta-vozes foram os pais, talvez até influenciando na imaginação fértil delas.

Emílio encerra falando da premissa do blog Casa dos Focas, criado em 2012 no seu segundo semestre da faculdade com o intuito de divulgar textos de estudantes, textos esses que não se via sendo compartilhados em sites na internet e que se orgulha de ser o pioneiro desse formato, deixando seu convite para todos nós que estamos trilhando esse caminho enviarmos os textos produzidos para o blog.

Todos os presentes no Auditório da Cruzeiro do Sul do campus São Miguel saíram com a mais valiosa lição: devemos sempre buscar a ética jornalística e escutar sempre todos os lados da história, sejam eles três, quatro ou mais, para não cometermos os mesmos erros e causar outra ferida nessa que é uma linda profissão.

Assim se encerra a Semana de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, com alunos engajados e encantados com o aprendizado adquirido nesses 4 dias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X

Pin It on Pinterest

X